Evento de Gilmar Mendes terá 2 ministros do STF, 11 do STJ, 4 do TCU, 3 ministros do governo Lula, 1 governador e 18 congressistas
O Fórum de Lisboa de 2026, que começa nesta 2ª feira (1º.jun.2026), vai reunir 2 ministros do Supremo Tribunal Federal, 11 do Superior Tribunal de Justiça e 4 do Tribunal de Contas da União. Também estarão presentes 3 ministros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 1 governador e 18 congressistas.
O número total de participantes no Fórum de Lisboa aumentou de 360 em 2025 para 450 em 2026. É um recorde para o evento. Mas o total de autoridades brasileiras caiu com relação ao ano passado –a única exceção é no Legislativo, que terá 2 congressistas a mais neste ano. A mudança de embocadura do tema central do encontro, mais globalizado, é a razão de haver mais palestrantes de outros países e não apenas do Brasil e de Portugal.
O evento, que ganhou o apelido de Gilmarpalooza em uma brincadeira com o nome do festival de música Lollapalooza, consolidou-se como um dos principais pontos de encontro do establishment brasileiro. Sempre foi a oportunidade de autoridades conversarem com empresários, advogados e lobistas sobre o Brasil em Portugal.
Em 2026, no entanto, quer focar em temas mais abrangentes e internacionais. O tema do 14º Fórum de Lisboa será: “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. A ideia é abordar pontos como a relação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), com conflitos mundiais.
O evento tem entre os anfitriões o decano (o mais antigo) do STF, ministro Gilmar Mendes. Ao Poder360, na 6ª feira (29.mai), o magistrado minimizou a redução no número de autoridades. Afirmou ver com normalidade em um ano eleitoral.
Seguindo a lógica de internacionalização, Gilmar destacou os nomes estrangeiros que estarão presentes, como o israelense-americano Joel Mokyr (prêmio Nobel de Economia) e o norte-americano Thomas Friedman (prêmio Pulitzer).
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Segundo Gilmar, o Fórum tem a pretensão de se tornar cada vez mais internacional, mas “continua sendo também um importante evento luso-brasileiro”.
Além do decano, o ministro Alexandre de Moraes também está confirmado. Falará no painel “Democracia, populismo e polarização ideológica”. São os únicos integrantes da Corte neste ano –a edição de 2026 terá também a presença de Roberto Barroso, que se aposentou do STF em 2025.
No ano passado, ainda não estava em discussão a criação de um Código de Ética para magistrados e a operação sobre o Banco Master ainda não tinha sido deflagrada.
André Mendonça, o integrante da Corte mais bem avaliado pela população e o responsável pelo caso Master no Supremo, não participará. Esteve em 2025.
Quem também não estará presente é o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo investigação da Polícia Federal, o fundador do Master, Daniel Vorcaro, teria concedido vantagens econômicas ao congressista em troca de atuação favorável do congressista a interesses do grupo econômico ligado ao banco.
Ciro Nogueira negou ter cometido irregularidades e afirmou ter sido alvo de operação por ser um líder da oposição. Em 2025, ele esteve em Lisboa para o Fórum.
A redução é mais perceptível entre os governadores. Só Wanderlei Barbosa (Republicanos), de Tocantins, está confirmado.
Já no Planalto, a baixa mais significativa é a do advogado-geral da União, Jorge Messias, que teve a indicação para ocupar a vaga deixada por Roberto Barroso no STF rejeitada pelo Senado.
Também estarão presentes menos ministros do STJ e do TCU.
TEMAS
Apesar da internacionalização dos palestrantes e dos assuntos, questões domésticas –e que têm ganhado destaque na corrida eleitoral– devem estar na pauta tanto nos painéis quanto nos corredores.
O ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), por exemplo, falará sobre a soberania nacional. A discussão se dá no momento em que Lula recorre ao tema para responder à decisão dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Já o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, vai participar de painel sobre os impactos econômicos e sociais da redução da jornada de trabalho, pauta cara ao Planalto. A Câmara dos Deputados aprovou em 27 de maio o fim da escala 6 X 1. O texto será analisado pelos senadores e a expectativa é que seja aprovado antes das eleições.
Um dos painéis tratará de fraudes digitais. Tem como moderador Bruno Duque, diretor jurídico do BTG Pactual. Quando o Master já estava com dificuldades, Vorcaro cogitou vender o banco para o BTG, de André Esteves.
A operação não foi para frente e, mais tarde, veio a público que Lula aconselhou Vorcaro a não negociar a venda do Master com o BTG. André Esteves também estará no Fórum de Lisboa deste ano.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e Magda Chambriard, presidente da Petrobras, vão falar sobre os rumos da economia brasileira.
O Fórum também vai discutir segurança pública, soberania tecnológica, apostas on-line, regulação digital, inteligência artificial nas eleições, minerais críticos e o acordo entre o Mercosul e a União Europeia.
FESTAS E JANTARES PRIVADOS
Durante os dias que passam em Portugal, representantes de empresas privadas aproveitam para oferecer festas e jantares privados para os participantes –oportunidade que empresários têm para se aproximar de operadores do direito que atuam no Poder Judiciário. Esse tipo de contato é criticado por quem considera impróprios tais encontros.
Gilmar Mendes pensa de forma diferente. O decano do STF argumenta que reuniões como o Fórum de Lisboa permitem aos integrantes do Judiciário refletir sobre temas contemporâneos relevantes, trocar experiências entre si e assim estarem mais preparados para o exercício da magistratura.
Entre os empresários confirmados no Fórum de Lisboa 2026 estão:
André Esteves – co-fundador da Inteli, chairman e sócio sênior do BTG Pactual;
Fábio Chilo – diretor jurídico da JBS;
Luiza Trajano – presidente do Conselho de Administração Magazine Luiza;
Luiz Carlos Trabuco Cappi – presidente do Conselho de Administração do Banco Bradesco;
Ricardo Faria – fundador e chairman do Grupo Granja Faria;
Fábio Gaspar – Country Tax Manager da Shell Brasil;
Eduardo Lopes – diretor senior de Políticas Públicas do Nubank e CEO da Zetta;
Anderson Baranov – CEO Norsk Hydro Brasil e presidente do Conselho Diretor do Simineral PA.;
Eduardo Sattamini – CEO da Engie Brasil.
14º FÓRUM DE LISBOA
O evento é realizado de 1º a 3 de junho na Universidade de Lisboa. Tem como organizadores o IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), a FGV Justiça e a LPL (Lisbon Public Law Research Centre).
O IDP é uma empresa privada de ensino superior fundada em 1998, em Brasília, por Gilmar Mendes –à época, tinha 2 outros sócios: Inocêncio Mártires Coelho (que foi procurador-geral da República de 1981 a 1985) e Paulo Gonet Branco, que é o atual procurador-geral da República e estará no evento deste ano. Tanto Inocêncio como Paulo Gonet deixaram a sociedade.
O 14º Fórum de Lisboa recebeu o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, dado pelo presidente português a iniciativas, eventos, congressos, projetos ou comemorações que são considerados de especial interesse público, relevância cívica, cultural, científica, social ou econômica para Portugal.
Não se trata de conceder financiamento ou apoio material. É uma chancela de reconhecimento e prestígio institucional.
A distinção, segundo a organização do Gilmarpalooza, “reconhece a relevância institucional, acadêmica e cívica do evento, bem como sua contribuição para o fortalecimento do debate democrático e para a reflexão sobre os desafios contemporâneos enfrentados por Portugal, pelo Brasil e pela comunidade internacional”.