Os 143 petaflops instalados no parque de supercomputação brasileiro equivalem à capacidade de processamento de 700 mil notebooks
Com 10 supercomputadores em seu território, o Brasil ocupa a 16ª colocação no ranking mundial de capacidade de processamento em computação de alto desempenho. Ao todo, essas máquinas somam 143 petaflops em Rmax, a principal métrica utilizada para nivelar esse tipo de tecnologia.
O desempenho dos supercomputadores é comparado pela TOP500, um projeto internacional ligado a pesquisadores e instituições acadêmicas. A lista, divulgada uma vez a cada semestre, usa o teste Linpack: todos os sistemas submetidos recebem um mesmo tipo de problema matemático –resolver um enorme conjunto de equações lineares– e são classificados pela velocidade com que chegam ao resultado.
Apelidadas de supercomputadores, essas máquinas são, a rigor, o que especialistas preferem chamar de HPCs –que é a sigla para High Processing Computers, ou Computadores de Alto Desempenho, em português. São sistemas de alta complexidade projetados para realizar um número extraordinário de cálculos em velocidades muito maiores do que computadores convencionais.
Os 143 petaflops instalados no parque de supercomputação brasileiro equivalem, em estimativa conservadora, à capacidade de processamento de cerca de 700 mil notebooks. Mesmo assim, esse montante corresponde a apenas 6,5% da capacidade de processamento do líder da TOP500, o chinês LineShine.
Supercomputação é hoje uma área chave para as pesquisas científica e industrial. Iniciativas de pesquisa de espectro amplo e custo alto (como física de altas energias, climatologia, biomedicina, energia renovável, aeronáutica, para citar só algumas) têm impulsionado a construção de HPCs ao redor do mundo.
A tecnologia também é o motor para o desenvolvimento de IA (inteligência artificial), o que colocou o investimento global em computação de alto desempenho em novos patamares nos últimos anos, assim como a relevância geopolítica dessa tecnologia.
BRASIL TEM 10, GOVERNO QUER 11
No Brasil, o uso de supercomputadores está concentrado na Petrobras. A estatal responde por 6 dos 10 sistemas brasileiros listados na TOP500. O mais bem colocado do país é o Harpia, também da Petrobras, que aparece na 37ª posição. A lista brasileira ainda inclui máquinas de instituições como o LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica), o SiDi e a Software Company MBZ.
Na Petrobras, os supercomputadores são usados sobretudo em atividades de exploração e produção de petróleo e gás. As máquinas processam grandes volumes de dados geológicos e sísmicos, ajudam a formar imagens do subsolo, simulam o comportamento de reservatórios e apoiam decisões sobre localização de poços e gerenciamento da produção, especialmente em áreas complexas, como o pré-sal.
Enquanto isso, o governo federal quer ampliar essa capacidade com um novo supercomputador voltado principalmente à inteligência artificial. O projeto, divulgado em 2024, faz parte do PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial) e tem orçamento estimado em cerca de R$ 2 bilhões.
Segundo o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), a iniciativa está em fase de estruturação técnica, administrativa e orçamentária, com expectativa de implantação ao longo de 2027.
Em nota enviada ao Poder360, o ministério afirma que ainda não há definição oficial sobre o local de instalação nem sobre a instituição responsável pela operação do sistema.
Essas definições fazem parte dos estudos atualmente em andamento e levarão em consideração aspectos técnicos, “como disponibilidade de energia elétrica, conectividade de alta capacidade, infraestrutura predial, requisitos de refrigeração e sustentabilidade operacional”.
O objetivo é que a máquina assuma o posto atualmente ocupado pelo Santos Dumont, do LNCC. Esse supercomputador, diferentemente dos demais listados na TOP500, é compartilhado entre instituições de ciência e tecnologia, e pode ser acessado por universidades e institutos de pesquisa.
De acordo com o MCTI, o novo supercomputador que o governo pretende adquirir também estará encaixado nestes moldes de utilização, podendo ainda ser alugado por startups envolvidas em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
O governo quer colocar a nova máquina entre as mais bem ranqueadas do mundo. Hoje, esse restrito grupo de supercomputadores é composto por máquinas localizadas nos Estados Unidos, na China, no Japão e na Europa. Eis o top 10 do ranking:
LineShine — China;
El Capitan — Estados Unidos;
Frontier — Estados Unidos;
Aurora — Estados Unidos;
JUPITER Booster — Alemanha;
HPC7 — Itália;
Eagle — Estados Unidos;
HPC6 — Itália;
Supercomputer Fugaku — Japão;
Alps — Suíça.
BIG TECHS ESTÃO DE FORA
O ranking da TOP500, porém, não mostra toda a capacidade computacional disponível no mundo. A entrada na lista depende da submissão voluntária dos dados do sistema e do resultado no teste Linpack. Por isso, supercomputadores privados, militares ou instalados em data centers comerciais podem ficar fora do levantamento.
Essa lacuna ganhou peso com a corrida da inteligência artificial. Empresas como Amazon, Google, xAI e Microsoft desenvolvem ou operam grandes infraestruturas próprias para treinar modelos de IA. Parte desses sistemas não é submetida ao teste da TOP500 ou não aparece de forma integral na lista.