Pré-candidato à Presidência defende que a mudança na jornada de trabalho precisa ser feita com período de adaptação gradual e não em 2 meses
O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD-GO) afirmou nesta 3ª feira (16.jun.2026), em entrevista ao Poder360, que mudanças nas regras da jornada de trabalho precisam considerar as diferenças entre os setores da economia e estabelecer uma adaptação gradual da jornada de trabalho feita pelas empresas. Segundo ele, uma eventual redução da escala 6 X 1 não poderia ser implementada em curto prazo sem afetar atividades que dependem de mão de obra especializada.
“Isso é uma matéria finalizada, o que se discute hoje e que todos nós temos que entender é que você não pode fazer uma transição em 2 meses. Aí já é um desrespeito completo”, disse.
Caiado afirmou que mudanças estruturais no mercado de trabalho exigem planejamento e tempo de adaptação. Segundo o pré-candidato, uma transição acelerada poderia provocar dificuldades operacionais em áreas que dependem de profissionais com treinamento específico.
“Existem setores que exigem profissionais especializados, que não podem ser substituídos ou treinados imediatamente”, declarou. Como exemplo, o pré-candidato disse que atividades ligadas à saúde e à manutenção de sistemas elétricos, nas quais, segundo ele, dependem de qualificação técnica, exigem períodos mais longos de formação.
Assista à entrevista (35min30s):
DIFERENÇA REGIONAL
O pré-candidato também defendeu que as negociações levem em conta particularidades regionais e setoriais. Para ele, regras uniformes podem produzir efeitos distintos em diferentes partes do país.
“A realidade do Amazonas é uma, a de Goiás é outra e a do Rio Grande do Sul é diferente. É preciso preservar espaço para negociação e considerar a realidade de cada setor”, afirmou.
O debate sobre a escala 6 X 1 ganhou força com propostas em análise no Congresso Nacional que defendem a redução da jornada semanal como forma de ampliar a qualidade de vida e equilibrar relações de trabalho. Defensores da mudança argumentam que jornadas menores podem contribuir para a saúde física e mental dos trabalhadores e aumentar a produtividade.
Congressistas críticos, por outro lado, afirmam que alterações sem planejamento podem elevar custos para empresas e dificultar a adaptação de segmentos que operam em regime contínuo, como comércio, saúde, indústria e serviços essenciais.
Ao comentar o tema, Caiado classificou propostas de implementação rápida como medidas com caráter político e afirmou que mudanças dessa dimensão exigem planejamento de longo prazo.
“Uma mudança desse tamanho precisa ser construída de forma gradual, e não apenas apresentada como uma solução imediata”, disse.
QUEM É RONALDO CAIADO
Ronaldo Caiado, 76 anos, lançou em abril sua pré-candidatura pelo PSD à Presidência da República para as eleições de 2026. Médico ortopedista de formação, está no 2º mandato como governador de Goiás (2019 a 2026) e acumula mais de 3 décadas de trajetória política. Foi senador, exerceu 5 mandatos (1º 1991 a 1995; 2º 1999 a 2003; 3º 2003 a 2007; 4º 2007 a 2011 e 5º 2011 a 2015) como deputado federal e disputou pela 1ª vez a Presidência em 1989, quando terminou a corrida eleitoral em 10º lugar. Caso confirme a candidatura, será sua 2ª tentativa de chegar ao Palácio do Planalto.
Caiado integra uma das famílias mais tradicionais da política goiana, cuja influência no Estado existe há tempos. O sobrenome aparece associado à formação política de Goiás desde o período imperial e se tornou frequentemente citado em análises sobre a permanência das elites políticas brasileiras.
O episódio mais conhecido envolve um telegrama enviado em 1889 pelo militar Felicíssimo do Espírito Santo Cardoso ao filho João Inácio do Espírito Santo Cardoso, logo depois da Proclamação da República: “Vocês fizeram a República que não serviu para nada. Aqui, agora como antes, continuam mandando os Caiado”.
O caso foi resgatado décadas depois pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, bisneto de Felicíssimo, e passou a ser citado por historiadores e escritores como exemplo da continuidade das estruturas de poder no país.