Bolívia autoriza uso de militares para desbloquear vias

Manifestantes protestam há mais de um mês por causa da crise econômica e pedem a renúncia do presidente Rodrigo Paz

O Congresso da Bolívia aprovou no domingo (7.jun.2026) uma lei que autoriza o presidente Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão, centro-direita) a recorrer às Forças Armadas para desbloquear vias controladas por manifestantes que pedem sua renúncia.

O texto, que já havia sido aprovado pelo Senado boliviano, recebeu aval da Câmara dos Deputados depois de 15 horas de sessão. “Fica sancionada a presente lei. Remeta-se ao Poder Executivo para fins constitucionais”, declarou o presidente da Casa, Roberto Castro Salazar.

Paz avalia decretar estado de exceção, medida que ampliaria os poderes do governo para empregar as Forças Armadas e permitiria restringir direitos como a liberdade de mobilização.

Um dos artigos da lei estabelece que, durante o estado de exceção, os militares terão “presunção de legalidade” e que o governo assumirá a responsabilidade pelo uso da força em situações de conflito.

No domingo (7.jun), Paz publicou em seu perfil no X que não permitirá que os “interesses do narcoterrorismo” destruam a democracia boliviana. Também agradeceu o apoio dos Estados Unidos.

INSATISFAÇÃO POPULAR

Os protestos contra o governo boliviano tiveram início em 1º de maio em várias regiões do país, com mais de 80 bloqueios em rodovias e líderes das manifestações presos.

Paz foi eleito presidente em 19 de outubro de 2025 ao derrotar Jorge “Tuto” Quiroga (Aliança Livre, direita) no 2º turno. 

Os manifestantes dizem protestar por causa da crise econômica enfrentada pela Bolívia, tida como a pior em décadas. Afirmam que a recessão foi agravada pelas medidas de austeridade implementadas depois do fim de 20 anos de governos de esquerda.

ENTENDA A CRISE

Paz herdou uma economia já fragilizada com escassez de dólares e queda na exportação de gás natural, e suas tentativas de ajuste financeiro geraram revolta popular generalizada:

fim dos subsídios – a crise se agravou depois do término dos subsídios aos combustíveis, mantidos por mais de 20 anos, o que levou ao aumento dos preços da gasolina;
desabastecimento e inflação – a alta dos combustíveis resultou em escassez de produtos, longas filas e aumento dos preços;
pressão salarial – a população passou a exigir um reajuste salarial imediato de 20% para compensar a perda do poder de compra;
reforma agrária – outra motivação para as revoltas foi a reclassificação das pequenas propriedades rurais na reforma agrária promovida pelo governo, o que mobilizou comunidades camponesas e indígenas.

Sindicatos ligados à Central Operária Boliviana, além de mineiros, professores e produtores rurais, decidiram bloquear as principais rodovias do país.

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Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/bolivia-autoriza-uso-de-militares-para-desbloquear-vias/

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