Autoridades brasileiras são admoestadas durante Gilmarpalooza

Jornalista português criticou Gilmar e Barroso no evento; Transparência Internacional chamou fórum de “festival de lobby jurídico”

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e o ex-presidente da Corte e ministro aposentado Roberto Barroso foram alvo de críticas e admoestações durante o 14º Fórum de Lisboa, evento de debates organizado por Mendes, na capital portuguesa. O encontro começou na 2ª feira (1º.jun.2026) e terminou na 4ª feira (3.jun).

Ambos foram abordados na rua pelo jornalista português Sérgio Tavares, dono do “Canal Sérgio Tavares”,  que é apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Vídeos publicados nas redes sociais mostram Tavares e o youtuber Adriano Castro, conhecido como Didi Red Pill, questionando Gilmar Mendes sobre o processo jurídico da tentativa de golpe de Estado de 2022.

Tavares e Castro aparecem nas imagens caminhando ao lado do ministro, que está cercado de seguranças. O jornalista português criticou o que chamou de “falso golpe de Bolsonaro”. Ele questiona se o ministro não “tem vergonha de perseguir um homem inocente em um golpe criado”.

Até a entrada de Gilmar no salão, Tavares é constantemente afastado pelos seguranças. Em um trecho do vídeo ele parece se desequilibrar ao esbarrar numa mureta de concreto.

Devido a interação, o jornalista afirmou em seu perfil oficial no X ter sido agredido pelos seguranças. 

A 1ª Turma do STF condenou, em setembro de 2025, Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a tentativa de golpe de Estado em 2022.

“Os injustiçados do 8 de Janeiro presos num falso golpe criado por vocês, sem tanques”, declarou Tavares enquanto era afastado pelos seguranças de Gilmar Mendes. 

O vídeo foi gravado por Didi Red Pill.

Em um 2º vídeo, o jornalista português aparece declarando que Barroso é o responsável por “boicotar o voto impresso” e por “fraude eleitoral”. O ministro aparece tirando foto, também cercado por seguranças.

Barroso já havia ressaltado antes de deixar a Corte: “Acho que uma das coisas importantes que eu fiz, já não na presidência, mas aqui no Supremo; embora tenha me custado um preço pessoal alto, de muito ódio, a começar pelo mesmo presidente [Jair Bolsonaro], que depois se irritou”.

Tavares e Didi Red Pill deixaram cartazes contra ministros do STF ao redor do local do evento em Lisboa. Na imagem aparecem Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e a ministra Cármen Lúcia.

Reprodução/X @Zionist_faithfu – 1º.jun.2026

Da esquerda para a direta o cartaz traz: Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e a ministra Cármen Lúcia

Assista aos vídeos (5min18s):

📷#vídeo Autoridades brasileiras são admoestadas durante Gilmarpalooza

🗣️Autoridades brasileiras foram admoestadas nesta 2ª feira (1º.jun), no 1º dia do 14º Fórum de Lisboa, evento que se estende até a 4ª feira (3.jun). Ministros do Supremo Tribunal Federal foram alvo de… pic.twitter.com/EqbdW44x0O

— Poder360 (@Poder360) June 3, 2026

CRÍTICAS INTERNACIONAIS 

O evento, que reúne autoridades brasileiras e estrangeiras, também foi criticado por órgãos internacionais. O diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão, publicou artigo de opinião no jornal português Expresso em que caracteriza o fórum como ambiente propício para o “lobby corporativo”.

Para a organização, o evento representa o “maior festival de lobby jurídico do planeta”, como um balcão informal de negócios, onde grandes empresas utilizam jantares e recepções de luxo para contato com outras autoridades, a fim de interesses comerciais.

O artigo cita casos  específicos que envolveram o Judiciário brasileiro, como quando, no fórum de 2023, Arthur Lira (PP-AL), então presidente da Câmara dos Deputados, abriu a sessão inaugural. 

Semanas antes do evento, a Polícia Federal havia identificado apontamentos relacionados a despesas pessoais pagas em benefício de Lira por um assessor e um motorista, ambos investigados por desvio de verbas públicas destinadas à compra de kits de robótica escolar em Alagoas.

Uma semana depois do Fórum de Lisboa, já em Brasília, Gilmar Mendes suspendeu a investigação contra Lira. Segundo o artigo, outros oradores do evento também estiveram envolvidos em investigações de corrupção ou possuem vínculos com empresas sob escrutínio.

Brandão afirma que o Fórum de Lisboa se destaca pelo interesse que desperta no setor privado, algo incomum para um seminário acadêmico. Ele reforça a ideia ao mencionar que em 2025 houve a participação de 64 executivos de grandes empresas e associações empresariais como oradores. O diretor também ressalta que a presença das empresas é ainda maior nos eventos sociais do fórum, que contam com jantares e festas luxuosas pela cidade.

14º FÓRUM DE LISBOA

O tema do Fórum de Lisboa deste ano é “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. Todos os debates foram realizados de 1º a 3 de junho na Universidade de Lisboa.

O evento teve a presença de nomes como Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, Magda Chambriard, presidente da Petrobras, e Aloízio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

O número total de participantes no Fórum de Lisboa aumentou de 360 em 2025 para 450 em 2026. É um recorde para o evento. Mas o total de autoridades brasileiras caiu com relação ao ano passado –a única exceção é no Legislativo, que teve 2 congressistas a mais neste ano. A mudança de embocadura do tema central do encontro, mais globalizado, é a razão de haver mais palestrantes de outros países e não apenas do Brasil e de Portugal.

O 14º Fórum de Lisboa recebeu o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, dada pelo presidente português a iniciativas, eventos, congressos, projetos ou comemorações que são considerados de especial interesse público, relevância cívica, cultural, científica, social ou econômica para Portugal.

Não se trata de conceder financiamento ou apoio material. É uma chancela de reconhecimento e prestígio institucional.

A distinção, segundo a organização do evento, “reconhece a relevância institucional, acadêmica e cívica do evento, bem como sua contribuição para o fortalecimento do debate democrático e para a reflexão sobre os desafios contemporâneos enfrentados por Portugal, pelo Brasil e pela comunidade internacional”.

O evento é organizado pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), fundado pelo ministro Gilmar Mendes.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-justica/autoridades-brasileiras-sao-admoestadas-durante-gilmarpalooza/

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