STJ investiga ex-governador de MT em caso ligado ao Banco Master

Apuração mira credenciamento do Credcesta em Mato Grosso; ex-governador nega irregularidades

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) abriu uma investigação contra o ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil) por suspeitas de irregularidades e possível favorecimento ao Banco Master no credenciamento do Credcesta, programa de crédito consignado oferecido a funcionários públicos estaduais.

A apuração foi aberta a pedido da PGR (Procuradoria Geral da República) e tramita sob sigilo no STJ, segundo o jornal O Globo. O Poder360 procurou o tribunal para perguntar sobre a tramitação, a relatoria e o órgão julgador do caso. O STJ informou que, por se tratar de procedimento sigiloso, esses dados não estão disponíveis para consulta pública.

ENTENDA O CASO

Mendes deixou o governo de Mato Grosso em 31 de março para disputar uma vaga ao Senado nas eleições de 2026. Com a renúncia, o então vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) assumiu o Executivo estadual.

O caso mira o processo de credenciamento do Banco Master para operar o Credcesta em Mato Grosso. Em 5 de maio de 2023, Mauro Mendes assinou decreto que criou uma margem consignável exclusiva de 10% para cartões de benefício destinados a funcionários e pensionistas estaduais. Leia a íntegra (PDF — 127 kB).

O decreto incluiu entre as consignações facultativas aquelas “realizadas pelas entidades administradoras de cartão consignado de benefício até o limite de 10% (dez por cento), ficando restrita a contratação de no máximo 2 cartões por consignado”.

Três dias depois, em 8 de maio, o Banco Master pediu autorização para operar o programa no Estado. No dia seguinte, o processo foi aberto na administração estadual e o governo emitiu parecer favorável ao credenciamento.

A portaria que oficializou a autorização para o Banco Master atuar em Mato Grosso foi publicada em 1º de junho de 2023, com validade até maio de 2028.

CREDCESTA

O Credcesta voltou ao centro das investigações sobre o Banco Master depois da deflagração da 9ª fase da operação Compliance Zero, que alcançou o senador Jaques Wagner (PT-BA) e gestores ligados ao banco.

O modelo do programa é investigado em diferentes Estados. Em Mato Grosso, sindicatos questionam a operação do consignado na Justiça. Uma decisão administrativa da Seplag-MT (Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão), publicada no Diário Oficial em 14 de janeiro de 2026, afirmou haver indícios de irregularidades em contratos de cartão de crédito e cartão de benefício consignados. Segundo a decisão, 67,29% dos contratos dessas modalidades haviam sido alvo de pedidos de revisão por funcionários.

O escritório que representa as categorias afirma que mais de 15.000 pessoas tiveram problemas com o Credcesta no Estado, incluindo superendividamento e contratos considerados pouco claros.

Em março, o ex-governador Pedro Taques, que atua como advogado de sindicatos, disse à CPI do Crime Organizado que o Banco Master teria comandado uma rede de instituições financeiras que operavam consignados no Estado. Ele afirmou que 45.000 funcionários de Mato Grosso tinham contratos com empresas que chamou de “satélites” ligadas ao Master.

Taques também disse que o caso deveria ser investigado por suspeitas de fraude, cobrança abusiva de juros e possível atuação de instituições sem autorização do Banco Central.

A investigação no STJ amplia o alcance do caso Master sobre governos estaduais. Além de Mato Grosso, apurações envolvendo o banco já atingiram o Rio de Janeiro e a Bahia.

OUTRO LADO

O Poder360 procurou a assessoria de Mauro Mendes para perguntar se ele gostaria de se pronunciar sobre a investigação no STJ, o credenciamento do Banco Master em Mato Grosso e as suspeitas de irregularidades no processo, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Este texto será atualizado assim que alguma manifestação for recebida.

Ao jornal O Globo, o ex-governador negou irregularidades. Mendes afirmou que os atos de sua gestão seguiram a legalidade e que o Banco Master foi uma entre 24 instituições financeiras credenciadas no Estado.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-justica/stj-investiga-ex-governador-de-mt-em-caso-ligado-ao-banco-master/

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