Marcha da Maconha pede regulamentação e critica guerra às drogas

Ato que marcou os 18 anos da marcha teve como tema “O bagulho é louco, o processo é lento” e debateu a legalização da cannabis

A Marcha da Maconha reuniu milhares de pessoas neste domingo (21.jun.2026) na Avenida Paulista, em São Paulo. A concentração começou por volta das 14h20 em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), e os manifestantes iniciaram a caminhada às 16h20 em direção à Praça da República, no centro da capital paulista. 

Neste ano, o ato teve como principal pauta o debate sobre a legalização da cannabis e os modelos de regulamentação da planta no Brasil. A edição de 2026 marca os 18 anos da realização do ato em São Paulo. Com o slogan “O bagulho é louco, o processo é lento”, os organizadores buscaram destacar as mudanças que aconteceram desde as primeiras manifestações e os avanços do debate no Brasil ao longo das últimas duas décadas.

Faixas, cartazes e adesivos marcaram a concentração. Entre as principais mensagens exibidas pelos participantes estavam “Legalize Já” e críticas à política de guerra às drogas. Adesivos com o rosto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também foram distribuídos, alguns deles com referências ao fim da escala 6 X 1.

Os manifestantes também direcionaram críticas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chamado de “carniceiro” em um dos cartazes. O presidente Lula também foi alvo de cobranças. Em um cartaz estava escrito “Lula, seu vacilão, a gente quer a legalização”. Outra faixa dizia: “Maconha é só uma planta, droga é o Bolsonaro”.

Produtos com símbolos associados à cannabis eram comercializados por ambulantes ao longo da concentração. O ato contou ainda com a presença do deputado Eduardo Suplicy (PT), que faz aniversário neste domingo (21.jun), completando 85 anos.

Estimativa de público

Sobre o público deste ano, o organizador Rafael Presto disse esperar números semelhantes aos registrados em edições anteriores, estimado por ele em cerca de 60.000 pessoas. “A marcha tem um público muito grande todo ano. Ano passado devia ter umas 60.000 pessoas. Eu já vi marcha com 100 mil pessoas na rua.”, afirmou.

Segundo contagem do Poder360, cerca de 10.000 pessoas estavam na concentração do ato. Este jornal digital utilizou a ferramenta de medição do Google Earth para medir a área total.

A área ocupada –cerca de 2 quarteirões e meio, entre as ruas Peixoto Gomide e Itapeva– soma aproximadamente 2.984,62 m², o que comportaria até 11.938 pessoas, considerando 4 por metro quadrado. Como havia alguns espaços com maior dispersão, a estimativa final fica abaixo desse limite.

legalização e regulamentação

Segundo Presto, a edição deste ano busca discutir os rumos da legalização da cannabis no Brasil. O organizador afirmou que o movimento passou a defender não apenas a legalização da planta, mas também a construção de um modelo de regulamentação que evite a concentração de renda e inclua medidas de reparação para grupos historicamente afetados pela política de combate às drogas.

“Quando a marcha começou era proibido falar maconha. Hoje a gente já vê a maconha avançando no cenário de legalização, empreendedorismo e discutindo formas de envolver a agricultura familiar e outros modelos de economia”, disse.

Presto disse que o movimento pretende participar da discussão sobre como será estruturado um eventual mercado legal da cannabis no país.

“O que a gente tem que pensar nesse cenário é que processo de legalização a gente quer. Como a gente vai fazer esse dinheiro não se concentrar em quem já tem grana? Como a gente envolve a agricultura familiar e os pequenos produtores nesse processo?”, disse.

O organizador também afirmou que a marcha mantém como uma de suas principais bandeiras a crítica à guerra às drogas.

Veja fotos da Marcha da Maconha:

Vinicius Filgueira/ Poder360 – 21.jun.2026

O deputado Eduardo Suplicy (PT), que completou 85 anos neste domingo (21.jun.2026), participou da concentração da Marcha da Maconha na Avenida Paulista, em São Paulo

Vinicius Filgueira/Poder360 – 21.jun.2026

Manifestantes exibem mensagem contra a escala de trabalho 6 X 1 durante a concentração da Marcha da Maconha, na Avenida Paulista

Vinicius Filgueira/Poder360 – 21.jun.2026

Adesivos com a imagem do presidente Lula foram distribuídos durante a concentração da Marcha da Maconha, na Avenida Paulista

Vinicius Filgueira/Poder360 – 21.jun.2026

Adesivos com a imagem do presidente Lula foram distribuídos durante a concentração da Marcha da Maconha, na Avenida Paulista

Vinicius Filgueira/Poder360 – 21.jun.2026

Na imagem, manifestante com uma faixa “Maconha é só uma planta, droga é o Bolsonaro”

Vinicius Filgueira/Poder360 – 21.jun.2026

Manifestantes exibem mensagens contra a política de guerra às drogas durante a marcha; faixa que chama Tarcísio de “carniceiro”

Vinicius Filgueira/Poder360 – 21.jun.2026

Manifestantes exibem faixa em defesa da legalização da cannabis durante a Marcha da Maconha, na Avenida Paulista

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-cannabis/marcha-da-maconha-pede-regulamentacao-e-critica-guerra-as-drogas/

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