Brasil tem 5º maior poder de compra médio da América do Sul

País é o 2º mais desigual entre as nações com dados de Gini; Guiana, Suriname e Venezuela não têm séries disponíveis

O Brasil ocupa a 5ª posição em PIB per capita ajustado pela PPC (paridade do poder de compra) na América do Sul. Embora seja a maior economia da região em termos absolutos, com US$ 2,28 trilhões em PIB em 2025, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), o país fica atrás de vizinhos menores quando a renda é medida por habitante e ajustada ao custo de vida.

Além disso, o Brasil é o 2º país mais desigual entre as nações sul-americanas com dados recentes disponíveis, segundo o índice de Gini –indicador utilizado para medir a desigualdade na distribuição de riqueza de um país.

A Guiana, impulsionada pelo forte boom do petróleo e por uma base populacional reduzida, não entra na comparação por falta de série recente de desigualdade. A Venezuela, que enfrenta crise econômica e distorções associadas ao governo de Nicolás Maduro, também não possui dados atualizados comparáveis. O Suriname igualmente não dispõe de indicadores recentes disponíveis.

A leitura conjunta dos indicadores sugere que o país combina capacidade média de consumo intermediária na região com forte concentração de renda, o que ajuda a explicar a distância entre o tamanho da economia e o padrão de vida percebido pela população.

O PIB per capita em PPC ajusta diferenças de custo de vida entre países e permite comparar a capacidade média de consumo entre economias. Trata-se, porém, de uma média macroeconômica, que não reflete a renda efetivamente recebida por cada indivíduo nem sua distribuição interna.

DESIGUALDADE

O índice de Gini, que mede a concentração de renda, indica que o Brasil tem uma das distribuições mais desiguais da região, com taxa de 50,3.

Entre os países com dados recentes disponíveis, apenas a Colômbia –54,4– apresenta maior desigualdade.

Em contraste, países com maior poder de compra médio, como Uruguai –40–, Argentina –42,4– e Chile –43–, conseguem combinar renda média mais elevada com distribuição mais equilibrada do que a brasileira.

Como nem todos os países da América do Sul possuem dados recentes de índice de Gini, não é possível estabelecer um ranking completo de desigualdade na região. Em um cenário hipotético com a inclusão de Guiana, Suriname e Venezuela, o país poderia ocupar uma posição mais baixa no ranking, como o 5º lugar, mas não há dados suficientes para confirmar essa comparação.

POBREZA

Os indicadores de pobreza reforçam a posição intermediária do Brasil no cenário regional. Segundo o Banco Mundial, em 2024, 3,01% da população brasileira vivia com menos de US$ 3,00 por dia.

O percentual é significativamente maior do que o observado no Cone Sul, onde Uruguai –0,17%–, Chile –0,40%– e Argentina –0,96%– apresentam níveis mais baixos de pobreza extrema.

Por outro lado, o Brasil tem desempenho melhor do que países como Colômbia –8,50%–, além de Equador –7,31%– e Peru –5,14%.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2025, a renda domiciliar per capita média dos brasileiros foi de R$ 2.316. O Distrito Federal aparece em 1º lugar, com R$ 4.538, seguido por São Paulo, com R$ 2.956, e pelo Rio Grande do Sul, com R$ 2.839.

Isso indica que o país convive com fortes desigualdades regionais, já que o rendimento na unidade da federação mais rica é quase 4 vezes superior ao registrado no Maranhão (R$ 1.219), o Estado com o menor valor. Eis a íntegra (PDF – 194 kB).

LEITURA CONJUNTA

A combinação dos 3 indicadores sugere que o Brasil ocupa uma posição intermediária na América do Sul em termos de renda média, mas com forte concentração de renda e resultados sociais heterogêneos.

Apesar de ser a maior economia da região, o país não lidera em poder de compra por habitante e apresenta níveis elevados de desigualdade, o que limita a disseminação dos ganhos econômicos entre a população.

A comparação regional indica ainda que países menores conseguem, em alguns casos, combinar maior renda média com menor desigualdade, sugerindo que crescimento econômico e distribuição de renda não caminham necessariamente juntos.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/brasil-tem-5o-maior-poder-de-compra-medio-da-america-do-sul/

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