Chineses querem todos os projetos de ferrovias do governo, diz ministro

Ministro dos Transportes afirma que portugueses, italianos, espanhóis e mexicanos também consideram participar dos leilões ferroviários estimados para este ano

O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que empresas chinesas estão interessadas em todos os ativos da carteira de ferrovias, apresentada na última semana pelo governo, e devem participar dos leilões estimados para o 2º semestre.

Em entrevista ao Poder360, o ministro disse que integrantes do governo da China e dirigentes de grandes companhias do país asiático já conhecem e aprovam todos os projetos de ferrovias que o governo pretende leiloar nos próximos meses.

“A gente tem empresa chinesa que gosta de um projeto, tem outra empresa chinesa que gosta de outro projeto. Não tem nenhum ativo nosso que vai a leilão que não tenha pelo menos 1 grupo chinês olhando. Em média, tem 2 grupos [chineses interessados em cada projeto]”, disse o ministro.

Integrantes do Ministério dos Transportes, da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), da estatal Infra S.A e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) foram à China na última semana para divulgar a carteira para mais de 10 companhias e instituições de infraestrutura. 

“A gente teve tempo para discutir detalhadamente os projetos, 1 a 1, com cada uma das empresas. Nos roadshows que fizemos ao longo dos últimos 2 anos, várias empresas chinesas participaram. Só que nessa visita que nós fizemos agora, a gente foi falar diretamente com os dirigentes maiores. Antes, eles olhavam, estudavam, mas não tinham um ânimo mais detalhista. O nível de perguntas que eles fazem e o nível de conhecimento dos projetos é muito grande”, afirmou Santoro. 

Sérgio Lima/Poder360 – 16.jun.2026

O ministro dos Transportes deu entrevista ao Poder360, em Brasília, na 3ª feira (16.jun)

planejamento atrasado

Com novos mecanismos de financiamento e acenos a potenciais investidores, o ministério comandado por George Santoro tenta retomar o planejamento para o setor ferroviário depois de ter atrasado praticamente todo o cronograma de leilões elaborado para 2026. A meta inicial era leiloar as 8 ferrovias da carteira neste ano, mas, até o momento, nenhum edital foi publicado e parte dos leilões deve ficar para 2027.

Apesar do atraso, a ideia é realizar no 2º semestre pelo menos 5 leilões de projetos que já estão mais adiantados e aguardam apenas análise de viabilidade técnica, econômica e socioambiental do TCU (Tribunal de Contas da União) para avançarem para a fase de licitação. 

Já estão no Tribunal os projetos:

Corredor Minas-Rio;
Anel Ferroviário Sudeste;
Ferrovia Malha Oeste;
Ferrogrão.

O 5º empreendimento, que trata da expansão do Corredor Leste-Oeste, está em fase de audiência pública e também deve avançar ainda neste ano.

“Estamos trabalhando com o cenário de botar todos os editais na rua esse ano. A gente vai conseguir fazer os 8 leilões esse ano? Acredito que não, porque a gente tem um cronograma legal a cumprir. Ao longo desse mês de junho e julho, provavelmente teremos alguns leilões já aprovados e já publicados os editais”, declarou.

OUTROS PAÍSES DE OLHO

O ministro afirmou que empresas do México, Itália, Espanha e Portugal também estão em contato com o governo e avaliam concorrer a concessões de ferrovias no Brasil. 

“A gente tem sido muito demandado. Agora, com o acordo do Mercosul com a União Europeia, a agenda ampliou muito, porque a possibilidade de os programas de retirada de tarifas é muito grande. A Europa ganhou muita competitividade e o Brasil ganhou muita competitividade. Isso vai ajudar muito a participação de empresas europeias no Brasil”, disse o ministro. 

Assista a entrevista de George Santoro ao Poder360 (32min21s):

LICENCIAMENTO PRÉVIO

Para atrair investidores para os projetos, o governo está propondo assumir a condução do licenciamento ambiental prévio, por meio de equipe especializada da Infra S.A. O processo costuma ser um dos principais entraves ao avanço de empreendimentos de ferrovias no Brasil. 

“A coisa mais importante do licenciamento prévio é tirar risco do investidor. Quando o cara entra no leilão sem saber o que ele vai enfrentar, isso gera um custo adicional para ele, uma expectativa negativa. Então ele coloca na precificação dele esse risco ambiental. Todos os licenciamentos dos projetos de ferrovias estão em andamento. Quando ele for assinar esse contrato, muito provavelmente a gente estará na fase final do licenciamento ou já licenciado. Isso tira muito o risco dele”, disse Santoro. 

Para o ministro, um dos principais diferenciais da nova carteira de ferrovias é a premissa de respeitar às regras ambientais de licenciamento, afastando-se de uma cultura do Brasil de ignorar essas variáveis em empreendimentos de infraestrutura.

“Os traçados da ferrovia já foram pensados para mitigar esses riscos. Então a gente já começa um projeto de engenharia com muito menos problema do que foi no passado. Eu não vou ter um traçado que vai passar no meio de uma de uma comunidade originária ou de um quilombola. Ele já vai fazer a previsão que existe ali, porque a gente usa dados de satélite”, declarou.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-infra/chineses-querem-todos-os-projetos-de-ferrovias-do-governo-diz-ministro/

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