Caiado propõe corte de 25% no orçamento dos Três Poderes, se for eleito

Pré-candidato diz que Estado deve “cortar na carne” antes de cobrar juros e “sacrifício” da população

O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD-GO) afirmou nesta 3ª feira (16.jun.2026) que, se for eleito presidente, adotará uma redução imediata de 25% nos orçamentos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário como uma das primeiras medidas para enfrentar o desequilíbrio fiscal do país. 

De acordo com Caiado, o ajuste deveria começar pela estrutura do próprio Estado para garantir credibilidade antes da adoção de outras medidas econômicas. A declaração foi dada em entrevista ao Poder360, quando Caiado foi questionado sobre quais ações implementaria para melhorar a condição fiscal brasileira. 

“O 1º passo é dar exemplo. Como eu fiz em Goiás: cortar na carne. Cortar no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, nos tribunais, em todos. Um corte imediato de 25% para poder ter credibilidade e avançar em outras correções”, declarou.

O governador disse que um governo não pode exigir “sacrifícios” da população sem antes reduzir seus próprios gastos. Segundo ele, a atual carga tributária brasileira não comportaria novos aumentos de impostos.

“O brasileiro já está com uma carga tributária de 34,2%. Não existe mais espaço para aumentar impostos”, disse.

Assista a entrevista (35min30s):

CRÍTICAS A ECONOMIA BRASILEIRA

Durante a entrevista, Caiado também criticou o cenário econômico atual e afirmou que juros elevados têm dificultado a atividade econômica em diferentes setores.

Segundo o pré-candidato, o problema não se restringe ao agronegócio, mas afeta serviços, comércio, indústria e pequenos negócios.

“Não é uma crise apenas no setor rural. É uma crise nos serviços, no comércio e na indústria. O micro e pequeno empresário não consegue sobreviver nesse ambiente”, afirmou.

Caiado associou o cenário econômico à política adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e criticou os programas de renegociação de dívidas promovidos pela gestão federal, como o Desenrola Brasil. Segundo ele, medidas voltadas ao alívio financeiro dos consumidores acabam sendo apresentadas como solução para problemas que, em sua avaliação, foram agravados pela própria política econômica.

“O governo estimula as pessoas a empreenderem e depois elas enfrentam juros elevados e dificuldades para manter seus negócios. Depois aparecem programas para renegociar dívidas. Primeiro criam o problema e depois apresentam a solução”, declarou.

A discussão sobre ajuste fiscal deve ocupar espaço central na campanha presidencial de 2026. O tema ganhou relevância diante do aumento das despesas públicas, das discussões sobre equilíbrio das contas do governo e das críticas relacionadas ao crescimento da dívida pública e ao ambiente de juros elevados.

QUEM É RONALDO CAIADO 

Ronaldo Caiado, 76 anos, lançou em abril sua pré-candidatura à Presidência da República para as eleições de 2026. Médico ortopedista de formação, está no 2º mandato como governador de Goiás (2019 a 2026) e acumula mais de 3 décadas de trajetória política. Foi senador, exerceu 5 mandatos (1º 1991 a 1995; 2º 1999 a 2003; 3º 2003 a 2007; 4º 2007 a 2011 e 5º 2011 a 2015) como deputado federal e disputou pela 1ª vez a Presidência em 1989, quando terminou a corrida eleitoral em 10º lugar. Caso confirme a candidatura, será sua 2ª tentativa de chegar ao Palácio do Planalto.

Caiado integra uma das famílias mais tradicionais da política goiana, cuja influência no Estado existe há tempos. O sobrenome aparece associado à formação política de Goiás desde o período imperial e se tornou frequentemente citado em análises sobre a permanência das elites políticas brasileiras.

O episódio mais conhecido envolve um telegrama enviado em 1889 pelo militar Felicíssimo do Espírito Santo Cardoso ao filho João Inácio do Espírito Santo Cardoso, logo depois da Proclamação da República: “Vocês fizeram a República que não serviu para nada. Aqui, agora como antes, continuam mandando os Caiado”. 

O caso foi resgatado décadas depois pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, bisneto de Felicíssimo, e passou a ser citado por historiadores e escritores como exemplo da continuidade das estruturas de poder no país.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/caiado-propoe-corte-de-25-no-orcamento-dos-tres-poderes-se-for-eleito/

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