Em entrevista ao Poder360, nesta 3ª feira (16.jun), pré-candidato defende agregar valor a nióbio e terras-raras para retorno de renda ao país
O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD-GO) declarou nesta 3ª feira (16.jun.2026) em entrevista ao Poder360 que o Brasil precisa deixar de exportar minerais estratégicos em “estado bruto” e avançar na industrialização e no processamento de recursos considerados críticos para a economia global.
Caiado citou o nióbio e as terras-raras como exemplos de ativos capazes de impulsionar desenvolvimento tecnológico, renda e competitividade internacional. Segundo ele, o país ainda reproduz um modelo de exportação de baixo valor agregado.
“O Brasil ainda vive uma fase colonial de exportar riqueza bruta. Vendemos por tonelada aquilo que poderia gerar muito mais renda e desenvolvimento”, declarou.
O pré-candidato afirmou que a prioridade deveria ser absorver tecnologia para processar e separar minerais estratégicos, ampliando o valor econômico desses recursos antes da exportação.
“Nós temos um nióbio praticamente 100% brasileiro. Também temos terras-raras pesadas. O interesse é absorver tecnologia, separar esses minerais críticos, elevar seu valor, gerar renda e avançar em inovação”, disse.
Assista a entrevista (35min30s):
As declarações se dão durante o aumento do interesse internacional por minerais críticos utilizados em baterias, turbinas eólicas, inteligência artificial, chips, veículos elétricos, equipamentos militares e tecnologias de transição energética. O tema ganhou dimensão geopolítica nos últimos anos em razão da dependência global da cadeia de processamento controlada principalmente pela China.
O Brasil é um dos principais detentores desses recursos naturais. Dados do SGB (Serviço Geológico do Brasil) indicam que o país possui cerca de 21 milhões de toneladas de reservas de terras-raras, o equivalente a 23% do total mundial. É a 2ª maior reserva do planeta, atrás apenas da China. O país também concentra cerca de 94% das reservas globais conhecidas de nióbio, além de ocupar posições relevantes em grafita e níquel.
Apesar do potencial geológico, o processo químico de separação dos elementos de terras-raras é complexo, exige alto investimento tecnológico e segue concentrado principalmente na Ásia. Atualmente, o Brasil ainda tem participação limitada na produção e no refino desses materiais.
A declaração de Caiado direciona com um debate que ganhou espaço nos últimos anos, o desafio de transformar reservas minerais em cadeias industriais de maior valor agregado. O argumento central é que a extração de matéria-prima tenha receitas menores do que a produção de componentes, tecnologias e produtos finais derivados desses minerais.
O governador também relacionou a política mineral à inovação tecnológica. Segundo ele, a exploração dos minerais críticos precisa caminhar junto a investimentos em inteligência artificial e formação de mão de obra especializada.
“Hoje o jovem precisa enxergar oportunidades ligadas às novas tecnologias. Não basta extrair recursos; é preciso transformar conhecimento em desenvolvimento econômico”, afirmou.
QUEM É RONALDO CAIADO
Ronaldo Caiado, 76 anos, lançou em abril sua pré-candidatura à Presidência da República para as eleições de 2026. Médico ortopedista de formação, está no 2º mandato como governador de Goiás (2019 a 2026*) e acumula mais de 3 décadas de trajetória política. Foi senador, exerceu 5 mandatos (1º 1991 a 1995; 2º 1999 a 2003; 3º 2003 a 2007; 4º 2007 a 2011 e 5º 2011 a 2015) como deputado federal e disputou pela 1ª vez a Presidência em 1989, quando terminou a corrida eleitoral em 10º lugar. Caso confirme a candidatura, será sua 2ª tentativa de chegar ao Palácio do Planalto.
Caiado integra uma das famílias mais tradicionais da política goiana, cuja influência no Estado existe há tempos. O sobrenome aparece associado à formação política de Goiás desde o período imperial e se tornou frequentemente citado em análises sobre a permanência das elites políticas brasileiras.
O episódio mais conhecido envolve um telegrama enviado em 1889 pelo militar Felicíssimo do Espírito Santo Cardoso ao filho João Inácio do Espírito Santo Cardoso, logo depois da Proclamação da República: “Vocês fizeram a República que não serviu para nada. Aqui, agora como antes, continuam mandando os Caiado”.
O caso foi resgatado décadas depois pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, bisneto de Felicíssimo, e passou a ser citado por historiadores e escritores como exemplo da continuidade das estruturas de poder no país.
Na disputa de 2026, Caiado tenta se apresentar como alternativa à polarização política que marca o cenário nacional desde 2018 e busca ampliar seu espaço no campo da centro-direita.
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/caiado-quer-fim-da-exportacao-bruta-de-minerais-criticos/