Presidente afirma que encontro será oportunidade para defender organismos multilaterais e diálogo global; Trump confirmou presença
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 4ª feira (3.set.2026) que participará da cúpula do G7 em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. A declaração foi dada durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, dias depois de o governo de Donald Trump (Partido Republicano) anunciar novas tarifas sobre produtos brasileiros.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. Nem ia, mas agora eu vou no G7”, declarou.
Segundo Lula, a decisão está relacionada ao cenário internacional e ao que considera um enfraquecimento das instituições multilaterais.
“É preciso que alguém tentar colocar na casa e dar um paradeiro nessa coisa que está acontecendo de desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições”, afirmou.
O presidente também disse que enviará uma nova carta a Trump. Segundo ele, o documento responderá aos argumentos usados por integrantes do governo norte-americano para justificar as tarifas impostas aos produtos brasileiros.
“Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump. Vou escrever quantos artigos o seu deputado escreveu na imprensa americana e na imprensa mundial. Para mostrar que eles estão errados. Que eles estão equivocados”, declarou.
G7 E RELAÇÃO COM OS EUA
Lula voltou a defender o fortalecimento da ONU (Organização das Nações Unidas) e a ampliação da representatividade do Conselho de Segurança.
A cúpula será realizada na França e reunirá líderes das principais economias desenvolvidas do mundo. Embora o Brasil não integre o grupo, o petista foi convidado pelo presidente francês, Emmanuel Macron.
Trump também confirmou presença no encontro, o que pode abrir espaço para uma nova conversa entre os chefes de Estado em meio às divergências comerciais entre os 2 países.
O Planalto vê a reunião como uma oportunidade para retomar o diálogo depois da decisão da Casa Branca de ampliar as tarifas sobre produtos brasileiros.
Representantes dos governos brasileiro e norte-americano também devem se reunir nos próximos dias em Paris durante um evento da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O chanceler Mauro Vieira participará do encontro, assim como o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.
REUNIÃO MINISTERIAL
Lula afirmou que pretende aproveitar a viagem para defender a cooperação internacional e criticar iniciativas que, segundo ele, enfraquecem mecanismos multilaterais criados depois da Segunda Guerra Mundial.
“Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo. É fortalecendo a ONU”, declarou.
A reunião desta 4ª feira (3.set.2026) foi a 1ª ministerial ampliada realizada por Lula depois das mudanças na articulação política do governo e do aumento da tensão comercial com os Estados Unidos.
Além da crise com Washington, o presidente cobrou dos ministros mais coordenação e rapidez na execução de programas e projetos.
Lula determinou que inaugurações e anúncios sejam centralizados pela Casa Civil e reclamou da falta de comunicação entre ministérios e o Palácio do Planalto.
“É importante que a gente apronte tudo até o dia 3 de julho”, disse. Também afirmou que “é importante que a gente não saiba nada pelos jornais”, ao pedir maior alinhamento entre os integrantes da Esplanada.
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