Fórum de Lisboa se globaliza com recorde de nomes internacionais

Encontro organizado por Gilmar Mendes chega à 14ª edição ampliando temas dos debates e vai abordar nova ordem internacional, tecnologia e soberania

O 14º Fórum de Lisboa terá uma mudança de embocadura neste ano. O evento criado pelo ministro decano (o mais antigo) do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, está mais globalizado e com um recorde de palestrantes internacionais –e não só concentrado em temas brasileiros e portugueses.

O encontro ficou conhecido como Gilmarpalooza (uma brincadeira com nome do evento musical Lollapalooza). Era uma oportunidade de autoridades brasileiras conversarem sobre o Brasil em Portugal. Na edição deste ano, Gilmar escolheu um tema mais abrangente: nova ordem internacional, tecnologia e soberania. Para debater, o Fórum de Lisboa terá a maior participação de estrangeiros da sua história. Serão palestrantes de Alemanha, França, Reino Unido, EUA, Espanha, Grécia, Itália, Moçambique, Cabo Verde, Colômbia e Angola.

Entre os convidados internacionais estrelados estão o israelense-americano Joel Mokyr (prêmio Nobel de Economia) e o norte-americano Thomas Friedman (prêmio Pulitzer). O infográfico a seguir lista alguns dos estrangeiros que estarão no 14º Fórum de Lisboa, a ser realizado de 1º a 3 de junho de 2026:

A chegada de mais convidados internacionais coincide com a diminuição dos nomes de autoridades brasileiras entre os palestrantes. Na 6ª feira (29.mai.2026), dia em que desembarcou em Lisboa, Gilmar disse ao Poder360 que o Fórum tem a pretensão de se tornar cada vez mais internacional, mas “continua sendo também um importante evento luso-brasileiro”.

O ministro do Supremo afirmou ver com normalidade a diminuição na quantidade de autoridades confirmada entre os palestrantes. Mencionou o fato de 2026 ser ano eleitoral.

“O Brasil está passando por uma circunstância. Pessoas estão sendo substituídas nos cargos, governadores se afastaram para disputar eleições, então é natural que haja esse tipo de substituição”, declarou.

“Mas o fórum é um evento marcadamente acadêmico e nós vamos ter a presença do Prêmio Nobel de Economia de 2025. Vamos ter o Thomas Friedman, que já esteve aqui e que é extremamente importante para a discussão sobre a ordem internacional mundial. Vamos ter o Ivan Duque, ex-presidente da Colômbia. Vamos ter o ex-presidente de Cabo Verde, o ex-presidente do Brasil Michel Temer, mais uma vez. Em suma, vamos ter várias pessoas”, afirmou.

AUSÊNCIAS

O STF passa por um momento de pressão. A Corte é mal avaliada pela população e sua imagem está desgastada. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 20 de março mostrou que dos 10 ministros que estão no Supremo neste momento (uma cadeira está vaga desde a aposentadoria de Roberto Barroso), 9 têm avaliação mais negativa do que positiva.

O único ministro mais bem avaliado (43%) do que rejeitado (36%) é André Mendonça. O ministro da Corte esteve no fórum de 2025, mas não vai comparecer à edição deste ano.

Mendonça é relator dos 2 casos mais rumorosos na Justiça brasileira –as investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social e a respeito do Banco Master.

O caso Master passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. Com a sua saída em 12 de fevereiro, Mendonça assumiu a relatoria. Daniel Vorcaro, fundador do banco, está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 4 de março.

Entre os investigados no caso Master está o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O congressista foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela PF em 7 de maio. Segundo a investigação da PF, Vorcaro teria concedido vantagens econômicas ao senador em troca de atuação favorável do congressista a interesses do grupo econômico ligado ao banco. Ciro Nogueira negou ter cometido irregularidades e afirmou ter sido alvo de operação por ser um líder da oposição. O senador participou do Fórum de Lisboa de 2025, mas não está entre os palestrantes da edição deste ano.

O número de ministros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também será menor em 2026 em relação a 2025. Uma das baixas deste ano é o advogado-geral da União, Jorge Messias. Recentemente, ele viu seu nome ser rejeitado pelo Senado para ocupar a vaga deixada por  Roberto Barroso no STF.

FESTAS E JANTARES PRIVADOS

Durante os dias que passam em Portugal, representantes de empresas privadas aproveitam para oferecer festas e jantares privados para os participantes –oportunidade que empresários têm para se aproximar de operadores do direito que atuam no Poder Judiciário. Esse tipo de contato é criticado por quem considera impróprios tais encontros.

Gilmar Mendes pensa de forma diferente. O decano do STF argumenta que reuniões como o Fórum de Lisboa permitem aos integrantes do Judiciário refletir sobre temas contemporâneos relevantes, trocar experiências entre si e assim estarem mais preparados para o exercício da magistratura.

Em entrevista em maio de 2025, Mendes foi indagado se havia conflito de interesses entre sua atuação como magistrado e a atividade do IDP, que tem contratos com a Confederação Brasileira de Futebol para fornecer cursos. Disse não ver problemas em ser dono da instituição e julgar casos relacionados à CBF.

“Eu sou sócio do IDP e, em dado momento histórico, o IDP aceitou uma proposta da CBF para realizar os cursos que a CBF Academy fazia. Foi somente um contrato de direito privado dirigido pela direção do IDP”, declarou.

14º FÓRUM DE LISBOA

O tema do Fórum de Lisboa deste ano é “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. Todos os debates serão realizados de 1º a 3 de junho na Universidade de Lisboa.

Além dos nomes já citados, contará com a presença de, por exemplo, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e Aloízio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

O 14º Fórum de Lisboa recebeu o Alto Patrocínio da Presidência da República Portuguesa, dada pelo presidente português a iniciativas, eventos, congressos, projetos ou comemorações que são considerados de especial interesse público, relevância cívica, cultural, científica, social ou econômica para Portugal.

Não se trata de conceder financiamento ou apoio material. É uma chancela de reconhecimento e prestígio institucional.

A distinção, segundo a organização do evento, “reconhece a relevância institucional, acadêmica e cívica do evento, bem como sua contribuição para o fortalecimento do debate democrático e para a reflexão sobre os desafios contemporâneos enfrentados por Portugal, pelo Brasil e pela comunidade internacional”.

QUEM PAGA

O Fórum de Lisboa é organizado pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), em parceria com a FGV Justiça e a LPL (Lisbon Public Law Research Centre).

O IDP é uma empresa privada de ensino superior fundada em 1998, em Brasília, por Gilmar Mendes –à época, tinha 2 outros sócios: Inocêncio Mártires Coelho (que foi procurador-geral da República de 1981 a 1985) e Paulo Gonet Branco, que é o atual procurador-geral da República e estará no evento deste ano. Tanto Inocêncio como Paulo Gonet deixaram a sociedade.

O Poder360 procurou o IDP, a FGV Justiça e a LPL, por meio das assessorias de imprensa, para perguntar se a organização do Fórum de Lisboa tem algum gasto com passagens e/ou hospedagens dos convidados deste ano. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Eis todos os participantes confirmados no 14º Fórum de Lisboa:

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/forum-de-lisboa-se-globaliza-com-recorde-de-nomes-internacionais/

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