Competição vai para a pausa da Copa com só 3 das 107 partidas disputadas tendo dado algum lucro com a venda de ingressos
O Brasileirão Feminino 2026, que teve aumento nas premiações e pagará R$ 2 milhões ao campeão, vai para a pausa da Copa do Mundo com cenários distintos dentro e fora de campo depois de 12 das 17 rodadas disputadas: se a briga pela liderança segue acirrada, com só 2 pontos separando o líder Corinthians do 3º colocado São Paulo, os seguidos prejuízos com as bilheterias e a pouca renda preocupam.
Foram, ao todo, 107 jogos disputados –Vitória x Atlético-MG deveria ter sido realizado na 2ª rodada, mas foi adiado para julho– e só 3 deles deram alguma receita aos mandantes. Em todos os outros, os clubes “pagaram” para jogar, com prejuízos que chegam a mais de R$ 60.000 em uma única partida.
Até o momento, cada time fez, em média, 6 jogos como mandante. Atual 2º colocado na competição, o Palmeiras lidera a lista de maiores deficits de bilheteria: nas 6 partidas disputadas em casa, acumula prejuízo de quase R$ 400 mil. Logo atrás aparecem RB Bragantino (R$ 283 mil), Santos (R$ 238 mil) e Atlético-MG (R$ 212 mil). Somados, os 4 reúnem quase 50% das perdas com a pouca venda de ingressos.
Horários ruins e oferta de transmissões
Neste ano, as transmissões da competição são realizadas por Globo e TV Brasil na TV aberta, Sportv e NSports na TV fechada e CBF TV, ge tv, Globoplay e Uol na internet. Com isso, os torcedores têm mais opções de acompanhar as partidas sem sair de casa.
Aliado a isso, há o fato de que muitos jogos, principalmente durante a semana, são em horários em que muitas pessoas ainda não saíram de seus trabalhos, como 15h ou 18h de uma 2ª feira, ou em momentos em que acabam concorrendo com as partidas do Campeonato Brasileiro Masculino. Tudo isso faz com que o público se afaste dos estádios e puxe a média de ingressos vendidos para baixo.
Líder do campeonato, o Corinthians é também o 1º colocado no ranking de público no Brasileirão feminino. Em 6 partidas como mandante, somou pouco mais de 22.000 torcedores. Com menos da metade, o Santos aparece em 2º lugar e o Palmeiras fecha o Top 3 de clubes com maior presença de torcedores em seu estádio.
Para efeito de comparação, os 3 jogos com maior público nesta edição do Brasileirão masculino somam mais torcedores do que o total de pessoas que acompanharam as 107 partidas da Série A feminina. São eles:
Flamengo 0 x 3 Palmeiras – 71.205 torcedores (Maracanã – 23.mai);
Flamengo 3 x 1 Santos – 68.615 torcedores (Maracanã – 5.abr) e
Flamengo 3 x 0 Remo – 62.075 torcedores (Maracanã – 19.mar).
Outro ponto que pesa na equação dos deficits é a gratuidade de ingressos. Em 53% das partidas, os clubes não tiveram nenhum tipo de receita, uma vez que os ingressos eram gratuitos ou os torcedores não compareceram.
Nesse ponto, quem se destaca negativamente é o América-MG, que não teve torcida em 5 de seus 6 jogos em casa. Entretanto, como o clube mineiro não arca com muitas despesas, é só o 12º colocado no ranking de maiores prejuízos.
Copa Feminina 2027
Se os clubes seguem enfrentando problemas para atrair públicos aos seus jogos, o mesmo não se dá com a seleção brasileira feminina. Anfitriã do próximo mundial da categoria, a equipe tem aumentado o número de espectadores nas partidas amistosas realizadas em solo brasileiro.
Recentemente, a CBF aumentou a carga de ingressos para o jogo contra a seleção dos Estados Unidos, que será realizado em Fortaleza, na Arena Castelão, em 9 de junho. Segundo informações do ge, o novo lote foi disponibilizado depois de a venda ter ultrapassado a marca de 16.000 tíquetes.