O ex-juiz tenta o governo do Paraná, enquanto Dallagnol e Filipe Barros disputam vagas no Senado em 2026
O lançamento da pré-candidatura de Sergio Moro (PL-PR) ao governo do Paraná reuniu, nesta 6ª feira (29.mai.2026), em Curitiba, alguns dos principais nomes da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além do senador paranaense, participaram do evento Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo-PR) e o deputado federal Filipe Barros (PL-PR), ambos pré-candidatos ao Senado.
Durante o ato, os discursos concentraram críticas ao governo federal, ao Supremo Tribunal Federal e defenderam pautas ligadas ao combate à corrupção e à segurança pública, temas que devem ocupar espaço central nas campanhas do grupo em 2026.
Assista ao evento completo (3h15min43s):
Ao abrir o evento, o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, afirmou que a capital paranaense “nunca elegeu o PT [Partido dos Trabalhadores]” e pediu que Flávio Bolsonaro derrotasse os petistas na disputa presidencial de 2026.
Dallagnol fez um discurso defendendo mudanças nas regras para impeachment de ministros do STF, exaltou o legado da operação Lava Jato e afirmou que a ação começou a ser enfraquecida quando passou a investigar autoridades próximas à Corte do Judiciário.
“A Lava Jato começou em Curitiba e colocou os maiores corruptos do país na cadeia. Ela começou a ser destruída quando chegou perto dos ministros do STF”, declarou Dallagnol.
O ex-procurador também afirmou que pretende disputar o Senado para defender mudanças institucionais. “Uma vez nós juntos prendemos Lula. Agora quero ir para o Senado para fazer o impeachment dos ministros do STF”, disse.
Já Filipe Barros elogiou a atuação de Flávio Bolsonaro na articulação junto ao governo dos Estados Unidos para classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações “terroristas”. O deputado afirmou que a iniciativa tem como objetivo proteger as famílias brasileiras e declarou acreditar que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) voltará a subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado do filho em janeiro de 2027.
Moro, por sua vez, destacou a mobilização dos apoiadores presentes e associou sua candidatura ao histórico da Lava Jato no Paraná. “A República de Curitiba é nossa. O Paraná é nosso”, afirmou. O senador também elogiou Flávio pela articulação internacional relacionada ao PCC e ao CV e criticou as declarações de Lula sobre a decisão dos EUA de classificar as facções como organizações “terroristas”.
Flávio Bolsonaro encerrou o evento com um discurso em tom eleitoral. O senador afirmou ter se reunido pela manhã com Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, e disse ter recebido orientações do pai para a pré-campanha presidencial.
Durante sua fala, voltou a defender a classificação das facções criminosas como organizações “terroristas” e disse que Lula minimiza o problema da criminalidade. Também sugeriu que o presidente poderia estar sendo pressionado por organizações criminosas. “Moro, nós temos a responsabilidade de colocar fim ao PT e a esse projeto de miséria”, declarou Flávio.
APOIO EM CURITIBA
O ato em Curitiba também fez parte de uma estratégia mais ampla da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Depois do desgaste provocado pelas discussões envolvendo o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, aliados do senador passaram a investir em agendas voltadas ao combate à corrupção e à segurança pública, temas tradicionalmente associados ao bolsonarismo.
Nos últimos dias, o entorno de Flávio também retomou uma prática frequentemente utilizada por Jair Bolsonaro desde 2018, recepções organizadas em aeroportos. Depois de retornar de uma viagem aos EUA, na 5ª feira (28.mai), onde se reuniu com o presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), o senador foi recebido por apoiadores em Brasília e, posteriormente, em Curitiba.
Aliados avaliaram, no evento desta 6ª feira (29.mai), que as demonstrações públicas de apoio ajudam a reforçar a imagem de Flávio junto à base bolsonarista e servem para recolocar sua pré-candidatura no centro do debate político. A escolha de Curitiba para uma das primeiras agendas depois da viagem aos EUA também foi vista como simbólica, por reunir 2 dos principais nomes ligados à Lava Jato e reforçar o discurso anticorrupção em um momento considerado estratégico pela campanha.