Pré-candidato afirma que acabar com a autonomia do BC é uma das pautas prioritárias de seu projeto de governança
Edmilson Costa, pré-candidato à Presidência da República pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro), afirmou, em 14 de maio, em entrevista ao Poder360, que o Banco Central “transformou” o Brasil em “refém do que há de mais atrasado na economia”. Segundo o economista, o BC “não pode ter autonomia ou independência” do governo federal.
“Não tem sentido uma pessoa ser presidente do Banco Central e outra ser presidente do Brasil eleito pela maioria da população e esse presidente do Brasil não ter condições políticas de mudar a política do Banco Central que é uma pessoa que não foi eleita por ninguém, mas que representa exatamente os interesses da oligarquia financeira”, afirmou Edmilson Costa.
Assista à declaração de Edmilson Costa (1min46s):
O pré-candidato declarou que uma das suas principais propostas de governo é “acabar com a autonomia do Banco Central e revogar toda a legislação neoliberal que foi feita na área da economia e que transformou o Brasil em refém da dívida interna”.
PRÉ-CANDIDATURA DE EDMILSON COSTA
O PCB lançou, em fevereiro, Edmilson Costa como pré-candidato à Presidência. Segundo o economista, a decisão visa a “colocar a política no posto de comando”. Para o partido, a escolha de lançar um pré-candidato é uma forma de colocar em pauta temas que outras candidaturas “não têm condições” de abordar.
O partido propõe “grandes transformações” em 5 áreas como propostas de governança para o Brasil. São elas:
sistema político – o PCB defende a extinção do Senado e a instauração de um “parlamento unicameral”, onde os integrantes sejam eleitos metade pelo voto universal e metade pelos movimentos sindicais, populares e estudantis. Também defende mandato determinado para tribunais regionais e superiores e a democratização dos meios de comunicação;
sistema econômico – o partido sugere a criação do Banco dos Trabalhadores, para operar recursos da Previdência, recursos dos fundos sociais e financiar reformas sociais. Também defende uma reforma agrária no Brasil;
saúde e educação – defende a estatização da educação brasileira e do sistema privado de saúde. O partido também propõe uma política de valorização dos professores;
leis sociais e trabalhistas – Edmilson afirma que trabalhará para “recuperar o poder de compra dos salários”. Visa a alcançar o piso do salário mínimo necessário do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Em abril, o montante era de R$ 7.612,49;
relações internacionais – o PCB irá “estender a solidariedade militante a todos os povos em luta com o imperialismo que hoje é o principal inimigo da humanidade”. Edmilson Costa afirma que trabalhará para “mudar a correlação de forças internacionais”.
Edmilson Costa, natural do Maranhão, é doutor em Economia pela Unicamp, com pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas na mesma instituição. Também é autor de obras sobre o capitalismo contemporâneo e a economia mundial. São as mais recentes: “Reflexões sobre a crise brasileira” (Editora Ciências Revolucionárias, 2020) e “Um perfil da juventude brasileira” (Instituto Caio Prado Júnior, 2025).