Uma técnica de enfermagem diz ter sido agredida pelo senador Magno Malta (PL-ES) em boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil do Distrito Federal. O congressista foi internado na 5ª feira (30.abr.2026) no Hospital DF Star, em Brasília, depois de um mal-estar súbito.
“A vítima levou o agressor até a sala de exame, realizou a monitorização e fez o teste com o soro para o acesso. Segundo a vítima, após o início do exame, informou que iriam iniciar a injeção de contraste, momento em que a bomba identificou que havia uma oclusão [bloqueio], interrompendo o procedimento. A vítima entrou na sala onde estava o agressor para verificar o ocorrido e constatou que o contraste havia extravasado no braço dele”, disse a técnica à polícia, segundo o depoimento obtido pelo portal G1.
A técnica, então, teria dito ao senador que precisaria fazer uma compressão em seu braço, momento em que ele se levantou e, “quando a vítima se aproximou para ajudá-lo, ele desferiu um tapa forte em seu rosto, chegando a entortar os óculos”. De acordo com o depoimento, Malta ainda teria chamado a técnica de enfermagem de “imunda” e “incompetente”.
OUTRO LADO
Na manhã deste sábado (2.mai), Malta usou o seu perfil no Instagram para compartilhar um vídeo em que conta a sua versão do caso (assista abaixo). Ele negou a agressão e reclamou de falha no atendimento.
“Eu nunca toquei a mão nem nas minhas filhas. Em nenhuma mulher. Em ninguém. Isso é falsa comunicação de crime”, disse o senador.
“Eu estava dentro da sala fazendo uma tomografia. O cateter foi colocado fora do lugar e todo o medicamento, inclusive o contraste, caiu todo dentro do meu braço, fora da veia. Eu comecei a sentir dores. Comecei a dizer, está ardendo, está doendo. Até que quando colocou o contraste, eu não aguentei”, contou.
Malta disse que as imagens das câmeras da sala onde ele está fazendo o exame serão solicitadas e que ele vai entrar na Justiça. Afirmou também que quase teve trombose no braço por causa do procedimento.
“O diretor do hospital esteve aqui, juntamente com o médico de plantão. Me pediram desculpa. Eu queria ir embora do hospital, mas pediram que eu não saísse, que eu fizesse o exame […] O hospital tem que se posicionar a respeito de tudo isso. Eu estou indignado”, afirmou.
O Hospital DF Star disse em nota que abriu uma apuração administrativa sobre o fato ocorrido e que “vem dando todo o suporte à colaboradora que relatou ter sido vítima de agressão”. Afirmou ainda que “está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades envolvidas na investigação do episódio”.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal publicou uma nota de repúdio nas rede sociais. “A atuação desses profissionais não pode ser marcada por episódios de violência. Nenhuma posição ou condição autoriza agressões, e toda conduta dessa natureza deve ser tratada com o rigor da lei”, diz o comunicado.
Assista ao vídeo (4min23s):
ENTENDA
Na 5ª feira (30.abr), Malta disse que passou mal no estacionamento do Congresso depois de ser abordado por um vereador sobre uma proposta em tramitação no Senado. Malta declarou que, durante a conversa, ficou tonto e perdeu a consciência por alguns instantes.
O senador afirmou que realizou exames, incluindo tomografia, e que seu quadro de saúde é estável. Disse ainda que já teve episódios semelhantes anteriormente.