Declaração conjunta pede libertação de ativistas detidos pelas forças israelenses; países afiram que ação é “ilegal”
Os ministros das Relações Exteriores do Brasil e de outros 11 países emitiram na 5ª feira (30.abr.2026) uma declaração conjunta em que “condenam, nos termos mais enérgicos, o ataque israelense à flotilha Global Sumud”, ocorrido na 4ª feira (29.abr).
Segundo o grupo, as forças israelenses interceptaram 22 barcos que levavam ajuda humanitária à faixa de Gaza. De acordo com a Marinha de Israel, ao menos 175 ativistas, de várias nacionalidades, foram detidos. Entre eles estão 4 brasileiros:
Thiago Ávila, ativista socioambiental –já foi detido pelo Exército de Israel em junho e em outubro de 2025;
Mandi Coelho, militante do PSTU e pré-candidata a deputada federal por São Paulo;
Leandro Lanfredi, petroleiro da Transpetro, diretor do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros;
Thainara Rogério, ativista –também tem nacionalidade espanhola e estava em um barco com a delegação catalã.
Além do Itamaraty, assinam a declaração conjunta: Turquia, Jordânia, Mauritânia, Paquistão, Espanha, Malásia, Bangladesh, Colômbia, Maldivas, África do Sul e Líbia.
“Os ataques israelenses contra as embarcações e a detenção ilegal de ativistas humanitários em águas internacionais constituem flagrantes violações do direito internacional e do direito internacional humanitário”, diz o texto.
“Os ministros manifestam profunda preocupação com a segurança dos ativistas civis e instam as autoridades israelenses a adotarem as medidas necessárias para assegurar sua libertação imediata”, acrescenta a nota.
Navios interceptados
As embarcações da flotilha Global Sumud haviam saído de Catania, na Itália, em 26 de abril.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel declarou, na 5ª feira (30.abr), que os ativistas detidos são “provocadores” e que as forças israelenses agiram dentro da lei.
“Israel agiu de forma rápida, pacífica, em conformidade com o direito internacional e com o objetivo de garantir a segurança de todos a bordo –e continuará a fazê-lo”, diz nota publicada no X.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (Likud, direita), também usou seu perfil no X para dar parabéns à Marinha israelense. Afirmou ainda que a flotilha é composta por apoiadores do grupo extremista Hamas.
“Nenhum navio e nenhum apoiador do Hamas alcançou nosso território nem mesmo nossas águas territoriais. Eles foram repelidos. Continuarão a ver Gaza no YouTube”, declarou Netanyahu.
O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Tommy Pigott, mostrou apoio a Israel e condenou o que chamou de iniciativa em apoio ao Hamas. Afirmou que os EUA esperam que todos seus aliados “tomem medidas enérgicas contra essa manobra política inútil, negando acesso a portos, atracação, partida e reabastecimento às embarcações participantes da flotilha”.
Segundo Pigott, “os EUA considerarão o uso de ferramentas disponíveis para impor consequências àqueles que apoiam essa flotilha”.
Assista ao momento em que um dos barcos da flotilha é interceptado (2m06s):