Copom anuncia o 2º corte seguido e juro-base volta ao menor patamar desde maio de 2025, quando foi de 14,25% ao ano
O Banco Central decidiu cortar a taxa básica, a Selic, em 0,25 ponto percentual nesta 4ª feira (29.abr.2026). O juro-base caiu de 14,75% para 14,50% ao ano. A decisão era esperada pelos agentes financeiros e foi unânime entre os diretores.
Com esse anúncio, a autoridade monetária promove o 2º corte consecutivo nos juros, totalizando 0,50 ponto percentual (p.p.) de queda acumulada. Na reunião anterior, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a Selic também em 0,25 ponto percentual.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse, em 30 de março, que havia uma “gordura” na política monetária mesmo depois das pressões inflacionárias provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
A Selic está em patamar restritivo para frear a economia e controlar os preços. A inflação anualizada do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 4,14% em março. Está dentro do intervalo permitido pela meta (3%), mas próximo ao teto (4,5%). A inflação mensal acelerou de 0,70% em fevereiro para 0,88% em março.
A mediana das projeções dos agentes financeiros indica que a inflação subirá para 4,86% até o fim do ano, acima do percentual permitido. Será considerado como descumprimento da meta se a taxa anualizada do IPCA ficar por 6 meses consecutivos acima de 4,5%.
Há 1 mês, o Focus dizia que as projeções eram de uma Selic a 12,50% ao ano em 2026. O percentual subiu para 13% ao ano. Se o percentual se concretizar, o Banco Central irá cortar a Selic em 1,5 ponto percentual até o fim do ano.
O principal ponto de impasse são os efeitos da guerra entre EUA, Israel e Irã no Oriente Médio. Os conflitos encareceram o preço do petróleo, impactando o óleo diesel, a gasolina e os fretes. Há também repasses para outros produtos, o que pressiona os preços.
A prévia da inflação, medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor 15), mostrou que a taxa mensal acelerou de 0,44% em março para 0,89% em abril. Além da alta, os economistas defendem que a composição do indicador piorou.
O Banco Central já disse que a guerra pode ter impacto econômico significativo e duradouro. O patamar da Selic depende da “profundidade” e da “extensão” dos conflitos, segundo a última ata do Copom.
COPOM DESFALCADO
A reunião do Copom foi realizada sem ter todos os integrantes possíveis. O presidente Lula não indicou duas pessoas que poderiam ocupar os cargos da diretoria do Banco Central:
diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução;
diretor de Política Econômica.
Os mandatos de Renato Dias de Brito Gomes (Organização) e Diogo Abry Guillen (Política Econômica) terminaram em dezembro de 2025. Foram 3 reuniões com duas cadeiras vazias até agora.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad havia sugerido a Lula a indicação do secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Guilherme Mello. Não foi para frente. O economista não é bem avaliado entre os agentes financeiros por causa de frases ditas sobre juros e inflação.
O Copom tem, segundo a lei de autonomia operacional de 2021, nove integrantes. São 8 diretores e o presidente do Banco Central. As reuniões têm sido feitas com quórum reduzido.
O último encontro, de 28 e 29 de abril, contou com 6 integrantes:
Gabriel Galípolo, presidente;
Ailton De Aquino Santos, diretor de Fiscalização;
Gilneu Vivan, diretor de Regulação;
Izabela Moreira Correa, diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta;
Nilton David, diretor de Política Monetária;
Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos.
O diretor Rodrigo Teixeira (Administração) não participou por motivo de morte de familiar em 1º grau.
Os indicados por Lula ainda precisarão ser sabatinados na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) no Senado e aprovados no plenário da Casa.