Risco país volta para o menor patamar no governo Lula

Indicador foi de 123 pontos na 6ª feira (24.abr), o menor desde fevereiro de 2024; sob Bolsonaro, patamar mais baixo foi de 93 pontos

O risco Brasil, o CDS (Credit Default Swap) de 5 anos, fechou na 6ª feira (24.abr.2026) em 122,9 pontos, igualando o patamar mínimo já registrado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 122,68 pontos em fevereiro de 2024.

O indicador é usado pelo mercado para medir o risco de calote da dívida soberana. A queda sinaliza uma melhora na percepção de risco do país entre investidores internacionais, apesar das incertezas no campo fiscal e nos cenários políticos doméstico e internacional.

Quanto maior é o risco país, maior o prêmio exigido pelos investidores para colocar dinheiro naquele país. Quanto menor, maior tende a ser a confiança do mercado na economia, nas contas públicas e na estabilidade institucional.

No governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), o menor patamar do risco país para um fechamento de mês foi de 93 pontos, em fevereiro de 2020. Depois veio a pandemia e houve uma disparada nesse indicador com o aumento da incerteza global.

O maior patamar do CDS no governo Lula foi registrado em 20 de março de 2023, quando marcou 279,65 pontos. Naquela época, havia uma maior desconfiança sobre o compromisso do governo com as contas públicas combinada com um estresse bancário global  puxado pela quebra do Silicon Valley Bank. No fechamento mensal, o maior patamar foi em janeiro de 2023, com 154 pontos.

A redução do risco país coincide com o cenário de maior apetite global por risco, favorecido pelo enfraquecimento do dólar no mundo.

EVOLUÇÃO ANUAL

Há 1 ano (24.abr.2025), registrava 185 pontos-base. No início de 2025, estava em 214 pontos-base.

O QUE É O RISCO BRASIL

O risco país é calculado pela diferença entre o rendimento pago pelos títulos de dívida de um país e o rendimento de títulos considerados muito seguros, geralmente os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

O risco país é expresso em pontos base, um jargão do mercado financeiro: cada 100 pontos base equivalem a 1 ponto percentual a mais de juros que o país paga acima dos EUA.

Essa diferença é chamada de spread e mostra quanto a mais o investidor exige para emprestar dinheiro a um país visto como mais arriscado. No Brasil, um dos indicadores mais usados é o EMBI+ Brasil, calculado pelo J.P. Morgan.

Países mais bem estruturados têm o risco país muito mais baixo do que o do Brasil, apesar da melhora dos últimos meses.

Eis os resultados de 6ª feira (24.abr) para algumas economias selecionadas:

Itália: 30,87 pontos;
EUA: 34,63 pontos;
Reino Unido: 18,58 pontos;
Espanha: 18,58 pontos;
França: 27,75 pontos.

Mais próxima geograficamente ao Brasil, a Argentina teve risco país de 560 pontos em 24 de abril de 2026. Apesar do patamar ainda alto, houve uma melhora nos últimos anos. Em novembro de 2023, o indicador marcava 2.415 pontos no país vizinho. O do Chile está na casa dos 100 pontos.

Turquia (234 pontos) e Egito (324 pontos), por exemplo, também têm situações piores que o Brasil.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/risco-pais-volta-para-o-menor-patamar-no-governo-lula/

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