Representação é contra o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD); mineradora em Minaçu foi comprada por empresa dos EUA
Congressistas do Psol encaminharam à PGR (Procuradoria-Geral da República) representação contra o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pedindo a anulação da venda da mineradora Serra Verde, que fica em Minaçu (GO), para a empresa norte-americana USA Rare Earth.
O documento é assinado pelos deputados federais Sâmia Bomfim (SP), Glauber Braga (RJ) e Fernanda Melchionna (RS). Requerem a apuração da operação e a adoção de medidas para o cancelamento imediato de todos os atos relacionados a essa negociação. Isso inclui acordos, pagamentos e contratos.
A representação requer ainda instauração de inquérito civil e criminal em vista de observar os “fatos que possam configurar grave ameaça à soberania econômica do Brasil”.
O documento pede a análise da constitucionalidade dos procedimentos do governo de Goiás “que possam ter favorecido a exportação de terras raras, além da investigação da conduta de Caiado por possível extrapolação de competências constitucionais”.
Os deputados solicitam que a PGR avalie enviar ações no STF (Supremo Tribunal Federal) para declarar a nulidade dos atos relacionados à operação em vista de “possível invasão de competência da União em temas como mineração e relações internacionais”.
Terras-raras
A compra da companhia brasileira, que atua com mineração de terras-raras, por US$ 2,8 bilhões foi anunciada em 20 de abril.
A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, em Minaçu (GO), a única de argilas iônicas ativa do Brasil, em produção desde 2024. É também a única produtora das terras-raras pesadas mais valiosas fora da Ásia: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y).
Os materiais são usados para fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, como nas áreas de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.
De acordo com a mineradora brasileira, o negócio possibilitará a criação da maior empresa global do ramo. A produção em Goiás está na fase 1, mas a pretensão é dobrar a capacidade até 2030.
Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 23 de abril de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.