Alexandre de Moraes liberou o ex-presidente para ficar preso em casa por 90 dias; estava internado em Brasília a 14 dias, desde 13 de março
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 71 anos, recebeu alta hospitalar nesta 6ª (27.mar.2026) depois de ficar internado por 14 dias no Hospital DF Star, em Brasília (DF). Deixou o hospital por volta das 10h e seguiu para sua casa no Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, a cerca de 20 km da unidade hospitalar.
Vai cumprir prisão domiciliar por 90 dias, benefício concedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Boletim médico divulgado por volta das 10h30 desta 6ª feira confirmou a alta hospitalar do ex-presidente. Leia a íntegra (PDF -115 kB).
Bolsonaro passou mal em 13 de março, no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde cumpria pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Foi diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral. Foi a 3ª pneumonia enfrentada pelo ex-presidente e, segundo médicos, a mais severa até o momento.
Diante dos sintomas, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, que estava de plantão no local, foi acionada para prestar o 1º atendimento. O médico Brasil Caiado avaliou Bolsonaro posteriormente e já suspeitou de pneumonia.
No hospital, ele passou por uma série de exames, incluindo tomografia do tórax e dos seios da face, exames laboratoriais e um painel viral para descartar outras possíveis infecções.
A tomografia indicou broncopneumonia bilateral, mais acentuada no pulmão esquerdo. O tratamento foi iniciado imediatamente com antibióticos administrados por via intravenosa. Inicialmente, 2 medicamentos foram utilizados de forma preventiva e terapêutica. Um 3º passou a ser ministrado a partir de 15 de março.
Depois do início da medicação, Bolsonaro apresentou pequena melhora, mas ainda relatava enjoo, dor de cabeça e dores musculares típicas de um quadro infeccioso.
Com o passar dos dias, os boletins divulgados pela equipe médica diariamente mostravam evolução do quadro de saúde de Bolsonaro.
Em 16 de março, o ex-presidente, que estava em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), passou de cuidados intensivos para cuidados semi-intensivos.
Completou 71 anos no hospital, em 21 de março. Apoiadores levaram um bolo temático para o gramado em frente ao prédio e se reuniram para cantar parabéns.
Na 4ª feira (25.mar), o médico Brasil Caiado disse que a decisão do ministro Alexandre de Moraes que concedeu a prisão domiciliar por 90 dias foi de “bom senso”. Afirmou que “o ambiente residencial é sempre melhor”.
“Já combinamos com o fisioterapeuta a partir da alta para que seja feito todo o tratamento em casa, disciplinado com a rotina, e uma prescrição precisa dos nutricionistas. Nós todos já em uma programação de transição para casa”, disse.
Segundo o médico, Bolsonaro reclamou de dores no ombro direito e que a avaliação de um especialista mostrou que há indicação para uma cirurgia. O procedimento, porém, só seria feito depois da recuperação do atual quadro. Caiado afirmou que a queda sofrida pelo ex-presidente em janeiro pode ter agravado a situação.
O último boletim médico, divulgado na 5ª feira (26.mar), afirma que o ex-presidente “encontra-se sem sinais de infecção aguda, com boa evolução clínica” e que ficaria em vigilância clínica por 24 antes de receber alta.
PRISÃO DOMICILIAR
Ao conceder a prisão domiciliar, o ministro Alexandre de Moraes considerou o quadro de saúde do ex-chefe do Executivo, que tem apresentado intercorrências médicas sucessivas nos últimos meses, e a manifestação favorável da Procuradoria Geral da República.
A decisão, no entanto, tem caráter temporário de 90 dias contados a partir desta 6ª (27.mar), quando Bolsonaro teve alta.
Moraes disse que, de acordo com a literatura médica, o tempo de recuperação total nos 2 pulmões de um idoso (o ex-presidente tem 71 anos) pode durar de 45 a 90 dias. “Após esse prazo, será reanalisada a presença dos requisitos necessários para a manutenção da prisão domiciliar humanitária, inclusive com perícia médica se houver necessidade”, disse o ministro. Leia a íntegra (PDF – 790 kB).
Moraes também determinou que:
tornozeleira eletrônica – voltará a usar o aparelho de monitoramento;
moradores da casa – Michelle, Laura Bolsonaro e Letícia Marianna Firmo da Silva (enteada de Bolsonaro) não precisam de autorização porque moram na mesma casa;
visitas dos filhos – Flávio, Carlos e Jair Renan Bolsonaro poderão visitar o pai “nas mesmas condições legais do estabelecimento prisional”, ou seja, às quartas-feiras e aos sábados, das 8h às 11h, das 11h às 13h e das 14h às 16h;
demais visitas – todas que não forem de familiares diretos, advogados e médicos estão suspensas por 90 dias;
atendimento – médicos não precisarão pedir autorização para visita;
saúde de Bolsonaro – se necessário, o ex-presidente poderá ser internado sem necessidade de prévia decisão judicial se houver orientação médica;
uso de dispositivos – Bolsonaro não poderá usar celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa “diretamente ou por intermédio de terceiros”;
revista de visitantes – os celulares de quem for visitar o ex-presidente deverão ficar com os agentes policiais;
imagens e redes sociais – Bolsonaro não poderá usar redes sociais nem ter fotos e vídeos divulgados.
HISTÓRICO DE SAÚDE
Desde que foi esfaqueado durante a campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro passou por 14 cirurgias. Do total, 10 estão diretamente relacionadas a sequelas provocadas pelo ferimento abdominal e por complicações decorrentes de procedimentos posteriores.
O ex-presidente sofre com soluço refratário, ou crônico, que pode causar refluxo com entrada de substâncias na via respiratória, como aconteceu na madrugada de 13 de março. As 3 cirurgias mais recentes foram realizadas nos dias 25, 27 e 29 de dezembro de 2025.
No Natal, foi realizado o procedimento chamado herniorrafia inguinal bilateral, indicado para corrigir duas hérnias na região da virilha –uma do lado direito e outra do esquerdo.
A 2ª e a 3ª cirurgias foram realizadas para bloquear o nervo frênico, respectivamente o direito e o esquerdo, com o objetivo de reduzir os episódios de soluço.
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-brasil/bolsonaro-deixa-hospital-para-cumprir-prisao-domiciliar/