Deputada que fez blackface se registrou como parda em 2022

Erika Hilton denunciou Fabiana Bolsonaro à Justiça Eleitoral por suspeita de fraude em cotas; Fabiana recebeu R$ 1.593 de verba específica para pardos e negros

A deputada estadual Fabiana de Lima Barroso, conhecida como Fabiana Bolsonaro (PL), declarou-se “parda” em seu registro de candidatura de 2022, apesar de ter se identificado como “branca” durante sessão no plenário da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) na 4ª feira (18.mar.2026).

Fabiana é alvo de uma série de ações judiciais protocoladas pela deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) por fazer “blackface”: a deputada estadual se maquiou de marrom durante a sessão plenária da Alesp, em protesto contra a nomeação de Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.

Em uma dessas ações, Hilton apresentou denúncia à Justiça Eleitoral. A acusação sustenta que Fabiana cometeu fraude ao se declarar “parda” em seu registro de 2022 para se beneficiar de cotas.

No portal DivulgaCand do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Fabiana se declarou “branca” na candidatura a vice-prefeita de Barrinha (SP), em 2020. Já em 2022, para deputada estadual, ela se registrou como “parda”.

Candidatos pardos e negros têm direito, por lei, a verbas do Fundo Eleitoral. De acordo com a Agência Brasil e o TSE, Fabiana recebeu R$1.593,33 nesse tipo de repasse.

Reprodução/DivulgaCand – 19.mar.2020

Captura de tela da plataforma DivulgaCand, do TSE; Fabiana Bolsonaro se declarou “branca” em 2020, mas mudou para “parda” em 2022

Em mensagem enviada ao Poder360, o advogado de Fabiana Bolsonaro, Alberto Rollo, rebateu a tese de fraude eleitoral, classificando-a como “má fé” ou “ignorância jurídica”. A defesa argumenta que o registro de 2022 já foi julgado e deferido pelo TRE-SP e pelo Ministério Público Eleitoral, sem que qualquer irregularidade fosse apontada na época.

O advogado afirmou ainda que a deputada possui ascendência negra, pelo seu avô, e indígena, pela sua avó, o que legitimaria sua autodeclaração como parda. “O registro de 2022 já transitou em julgado. Não existe mais esse negócio de cassar registro da eleição de 2022”, declarou.

Em nota assinada pela própria deputada, Fabiana classificou as acusações de blackface como uma “mentira deliberada”. Ela defendeu que seu gesto foi um “ato simbólico” protegido pela liberdade de expressão para discutir representatividade autêntica. 

POSICIONAMENTO DA ALESP

A Alesp informou que o Conselho de Ética é o órgão com “autoridade e legitimidade” para analisar casos que eventualmente excedam a imunidade parlamentar. A Casa ressaltou que a Constituição garante a inviolabilidade de opiniões em plenário, mas que cabe ao conselho avaliar se houve quebra de decoro.

Fabiana Bolsonaro é filha do deputado federal Adilson Barroso (PL-SP) e adotou o sobrenome “Bolsonaro” como estratégia política, não possuindo parentesco com a família do ex-presidente.

Leia a nota da Alesp na íntegra:

“O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa é o órgão com autoridade e legitimidade para analisar casos que eventualmente excedam a imunidade parlamentar.

“A Constituição assegura que os parlamentares são invioláveis, civil e penalmente, por suas opiniões, palavras e votos, especialmente quando manifestados em Plenário. Trata-se de garantia destinada a assegurar a liberdade necessária ao pleno exercício do mandato”.

Leia a nota oficial da deputada Fabiana Bolsonaro:

“Senhoras e senhores da imprensa, deputados e brasileiros de bem, estou sendo acusada por algumas deputadas e ativistas de esquerda de “praticar blackface”. Como deputada, afirmo com total clareza e responsabilidade jurídica: durante minha presença no Plenário da Assembleia Paulista não fiz blackface. É uma mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo.

“Blackface, historicamente, é a caricatura depreciativa e racista em que uma pessoa branca pinta o rosto de preto para ridicularizar, humilhar e estereotipar pessoas negras. O que eu fiz na tribuna da ALESP foi exatamente o oposto: em minha manifestação, afirmei meu respeito pelas pessoas que sofrem com violência e preconceito racial, deixando claro que o simples fato de aplicar uma base escura sobre minha pele não me permitiria saber do sofrimento de tantos brasileiros que sofrem diariamente o inaceitável preconceito. Não sou negra, e por isso não tenho lugar de fala em favor dos negros, mas aproveitei para deixar claro o meu respeito e afirmar que não sofro com esse odiável preconceito, porque não sou negra. Em nenhum momento debochei, fiz piada ou desrespeitei a luta histórica do povo negro. Pelo contrário: reconheci e respeitei essas dores reais.

“O sentido de minha manifestação foi claro: em minha opinião, assim como eu não me torno negra só porque pintei a pele, ninguém que não nasceu mulher deve ser chama a representar com legitimidade as dores biológicas, psicológicas e históricas que só as mulheres biológicas sentem.

“Essa é uma discussão seríssima sobre representatividade autêntica, protegida pela liberdade de expressão (art. 5º, IV e IX da Constituição Federal) e pelo direito ao debate político. Não é crime de racismo. Não há dolo de ofender ou discriminar. Há, sim, defesa da verdade biológica e das conquistas históricas das mulheres. Defendo a dignidade das pessoas trans, sim, e isso declarei da tribuna, mas não para assumirem a defesa das mulheres no lugar delas.

“Não aceito que tentem transformar um ato simbólico em “racismo” para desviar o foco do real debate. Respeito quem é negro, quem é trans, quem é o que quiser ser. Que cada um assuma, com dignidade, seu lugar na sociedade, com liberdade e respeito, cada qual defendendo os seus próprios direitos. Estou à disposição da imprensa para entrevistas e esclarecimentos. A verdade não tem medo de luz.

“Deputada Estadual Fabiana Bolsonaro Mãe, mulher e defensora da família brasileira”.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-brasil/deputada-que-fez-blackface-se-registrou-como-parda-em-2022/

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