Levantamento mediu a percepção dos 37% dos eleitores que declararam não ter pagado alguma conta no mês anterior; para 12%, ações do governo “ajudaram muito”
Entre os 37% dos brasileiros que deixaram de pagar alguma conta em maio, 63% avaliaram que os programas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como o Desenrola 2.0, ajudaram “pouco” (30%) ou nada (33%) para reduzir o endividamento. Para 12%, o programa de renegociação de dívidas do governo federal “ajudou muito”.
O levantamento mostrou ainda que 19% dos entrevistados dizem não conhecer as medidas do governo sobre o assunto, enquanto 6% optaram por não responder. Os dados são da pesquisa PoderData realizada de 30 de maio a 1º de junho de 2026.
O PoderData fez duas perguntas: 1) No último mês, você ou alguém da sua família deixou de pagar alguma conta? 2) (só para quem respondeu “sim” à pergunta anterior) Você acha que programas do governo para renegociação de dívidas, como o Desenrola, têm ajudado?
O Desenrola 2.0 foi lançado em 4 de maio pelo presidente Lula. O programa oferece condições para quitação de dívidas contratadas até janeiro de 2026 e em atraso de 90 dias a 2 anos. A medida inclui débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O programa estabelece descontos de 30% a 90% sobre o valor principal das dívidas e limita os juros a 1,99% ao mês. Também permite que trabalhadores com renda de até 5 salários mínimos utilizem até 20% do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para o pagamento de débitos.
O programa faz parte do pacote de bondades do governo federal voltado à redução do custo de vida para famílias de baixa renda e da classe média. A medida é estratégica para o presidente Lula: o petista busca consolidar o apoio entre os brasileiros com renda de até 2 salários mínimos e avançar entre os que recebem de 2 a 5 salários mínimos –faixa em que não lidera as intenções de voto.
Os dados mostram que o programa ainda não se traduziu em mudanças perceptíveis no dia a dia da população de menor renda, segmento com maior quantidade de inadimplentes. O pouco tempo de vigência da medida, a falta de conhecimento sobre as condições oferecidas e as restrições de elegibilidade à medida podem ajudar a explicar esse cenário.
DECLARAÇÃO DE DÍVIDAS EM ATRASO
Segundo a pesquisa, 61% dos entrevistados declaram ter conseguido pagar todas as despesas no último mês. Outros 37% disseram ter deixado de quitar ao menos uma conta.
ESTRATIFICAÇÃO
O PoderData traz um recorte dos resultados por sexo, idade, região, escolaridade, renda e religião. No segmento de menor renda, 31% afirmaram que o programa “ajudou pouco” e outros 31% disseram que ele não trouxe benefícios. Já 12% avaliaram que a iniciativa “ajudou muito“.
Na faixa de 2 a 5 salários mínimos, a percepção é ainda menos favorável. O percentual dos que afirmam que o programa “não ajudou” sobe para 41% – 10 pontos percentuais acima do registrado entre os de menor renda. Outros 22% disseram que ele “ajudou pouco“, enquanto 13% relataram ter sido muito beneficiados.
Eis a estratificação:
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METODOLOGIA
A pesquisa PoderData foi realizada de 30 de maio a 1º de junho de 2026. Foram entrevistadas 2.500 pessoas com 16 anos de idade ou mais em 166 municípios nas 27 unidades da Federação. Foi aplicada uma ponderação paramétrica para compensar desproporcionalidades nas variáveis de sexo, idade, grau de instrução, região e renda. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
As entrevistas foram realizadas por telefone (para linhas fixas e de celulares), por meio do sistema URA (Unidade de Resposta Audível), em que o entrevistado ouve perguntas gravadas e responde por meio do teclado do aparelho. O intervalo de confiança do estudo é de 95%.
Para facilitar a leitura, os resultados da pesquisa foram arredondados. Por causa desse processo, é possível que o somatório de algum dos resultados seja diferente de 100%. Diferenças entre as frequências totais e os percentuais em tabelas de cruzamento de variáveis podem aparecer por conta de ocorrências de não resposta. Este estudo foi realizado com recursos próprios do PoderData, empresa de pesquisas que faz parte do grupo de mídia Poder360 Jornalismo.