Presidente menciona ligação “muito boa” com Putin enquanto EUA buscam conter disparada dos preços
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), disse na 2ª feira (9.mar.2026) que vai avaliar as sanções impostas ao petróleo russo como parte de uma estratégia para conter a alta global dos preços da energia provocada pela guerra entre EUA, Israel e Irã. O republicano afirmou que teve uma “muito boa ligação” com o presidente da Rússia, Vladimir Putin (independente, esquerda), o que pode beneficiar Moscou no mercado energético.
Trump disse a jornalistas na Flórida que o governo estuda retirar sanções aplicadas a alguns países enquanto durar a instabilidade no estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. O corredor liga o Golfo Pérsico ao oceano Índico e foi afetado pela escalada do conflito no Oriente Médio. As informações são da agência Reuters.
“Temos sanções contra alguns países. Vamos retirar essas sanções até que o estreito esteja novamente aberto”, afirmou Trump.
Conforme a agência de notícias, uma das possibilidades analisadas pela Casa Branca é reduzir restrições ao petróleo russo. A medida ampliaria a oferta global da commodity em um momento de interrupções no fornecimento vindo do Oriente Médio.
As alternativas incluem tanto um alívio amplo das sanções quanto autorizações específicas para que determinados países comprem petróleo russo sem risco de punições norte-americanas. Entre os cenários avaliados está permitir que países como a Índia adquiram carregamentos russos sem sofrer tarifas ou penalidades.
Na semana passada, os EUA já autorizaram, de forma temporária, que a Índia comprasse petróleo russo que estava em navios no mar, justamente para compensar a queda nas exportações do Oriente Médio.
A discussão se dá enquanto os preços do petróleo atingem níveis que não eram vistos desde 2022. O barril chegou a US$ 119 nos mercados internacionais após o início da guerra contra o Irã em 28 de fevereiro, pressionando combustíveis e custos de transporte. Na 2ª feira (9.mar) o valor recuou para cerca de US$ 90.
Trump tentou minimizar o impacto da alta. Em publicação nas redes sociais no domingo (8.mar), declarou que o aumento é temporário e representa “um preço muito pequeno a pagar pelos Estados Unidos”.
Na ligação com Putin, Trump disse que eles discutiram o conflito com o Irã e a situação do mercado global de petróleo.
“Eu disse que ele poderia ser mais útil ajudando a encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia”, afirmou Trump ao comentar o diálogo.
O Kremlin classificou a conversa como “muito substancial”. O assessor de política externa de Putin, Yuri Ushakov, disse que o contato pode ter “significado prático” para a cooperação entre os 2 países.
Putin afirmou que o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel já provoca risco de uma crise energética global. Segundo ele, a interrupção do transporte de petróleo pelo estreito de Ormuz pode afetar gravemente a produção dependente da rota marítima.
Paralelamente às discussões sobre sanções, o governo norte-americano analisa outras medidas para conter a escalada dos preços, como a liberação de petróleo das reservas estratégicas dos Estados Unidos em coordenação com países do G7 (grupo das 7 maiores economias do mundo).
A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, afirmou que o governo acompanha a situação desde antes do início da guerra. “O presidente Trump e toda a equipe de energia tinham um plano sólido para manter os mercados estáveis antes mesmo do início da operação”, declarou.
Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária disse que não permitirá que “um litro de petróleo” deixe o Oriente Médio enquanto os ataques norte-americanos e israelenses continuarem. Trump respondeu que os Estados Unidos reagirão com força caso o Irã tente bloquear as exportações da região.
“Vamos atingi-los com tanta força que não será possível para eles ou para qualquer um que os ajude recuperar essa parte do mundo”, afirmou.
Autoridades iranianas classificaram a declaração como “absurda” e disseram que o país decidirá quando o conflito terminará. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também afirmou que Teerã dificilmente retomará negociações com Washington após o que chamou de “experiência amarga” em diálogos anteriores.