Suspensão atende a pedido do Irã e vale até 6 de abril; esta é a 2ª pausa determinada pelo presidente dos EUA em menos de 1 semana
O presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), determinou suspensão temporária, por 10 dias, de ataques a instalações energéticas iranianas. A medida foi anunciada pela Casa Branca nesta 5ª feira (26.mar.2026) e terá validade até 6 de abril, às 20h (horário de Washington, 21h em Brasília).
Segundo Trump, a decisão atende a um pedido do governo iraniano e baseia-se no progresso das negociações. “As conversas estão avançando e, apesar de declarações errôneas da mídia de fake news, elas estão indo muito bem”, afirmou o republicano.
A suspensão dos bombardeios ocorre enquanto os 2 países mantêm negociações. Esta é a 2ª pausa determinada pelo presidente dos EUA em menos de uma semana. Na 2ª feira (23.mar), Trump havia dito que o país iria “adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestruturas energéticas” do Irã por 5 dias.
A decisão reforça uma mudança significativa na posição de Trump, que antes havia afirmado que não negociaria com os iranianos e chegou a dar um ultimato ao país persa, no sábado (21.mar), exigindo a liberação do estreito de Ormuz em 48 horas, sob ameaça de destruir as usinas de energia do Irã.
A passagem, vital para o transporte de 25% da produção global de petróleo, foi bloqueada pelo Irã em resposta aos ataques de EUA e Israel, que mataram o líder supremo, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro.
AMEAÇA À dessalinização
Em contrapartida ao ultimato anterior de Trump, a Guarda Revolucionária disse que iria fechar o estreito indefinidamente se os EUA bombardeassem a infraestrutura energética do país. O porta-voz do Quartel-General Central Khatam Al-Anbiya, Ebrahim Zolfaqari, afirmou que a resposta incluiria 4 medidas imediatas:
fechamento completo de Ormuz;
ataques amplos contra usinas de energia, infraestrutura energética e redes de tecnologia e comunicações de Israel;
destruição de empresas similares na região com acionistas norte-americanos;
ataque a usinas de energia em países do Oriente Médio que hospedam bases dos EUA.
A ameaça iraniana também alcança plantas de dessalinização, estruturas essenciais para o abastecimento de água e infraestruturas petrolíferas em todo o Golfo Pérsico caso suas usinas sejam atingidas. A dependência de água dessalinizada na região é crítica:
Kuwait – 90% da água potável vem de dessalinização;
Omã – 86%;
Israel – 75%;
Arábia Saudita – 70%;
Bahrein – 60%;
Qatar – 50%;
Emirados Árabes Unidos – de 42% a 50%.
Cerca de 100 milhões de pessoas vivem em países desérticos que dependem dessas plantas para manter o abastecimento.
Apesar da pausa diplomática, o clima de alerta persiste. No domingo (22.mar), o Irã testou, pela 1ª vez, um míssil com alcance de 4.000 km. Segundo a inteligência israelense, o projétil tem capacidade de atingir quase todas as capitais europeias, incluindo Londres, Paris e Berlim. Apenas Portugal, Irlanda e Islândia estariam fora do raio de ação iraniano na Europa.
REAÇÃO DO MERCADO
A sinalização de Trump trouxe um alívio imediato aos preços das commodities. O barril do petróleo havia saltado para US$ 115 com o fechamento de Ormuz, pressionando o preço do diesel no Brasil para a casa dos R$ 7,22. A manutenção da trégua é vista como essencial para evitar um colapso energético global e um repique inflacionário em ano eleitoral nos EUA e no Brasil.
A Guarda Revolucionária iraniana disse que fecharia o estreito indefinidamente se os EUA bombardeassem a infraestrutura energética do país. O porta-voz do Quartel-General Central Khatam Al-Anbiya, Ebrahim Zolfaqari, afirmou que a resposta incluiria 4 medidas imediatas: fechamento completo de Ormuz; ataques amplos contra usinas de energia, infraestrutura energética e redes de tecnologia e comunicações de Israel; destruição de empresas similares na região com acionistas norte-americanos; e ataque a usinas de energia em países do Oriente Médio que hospedam bases dos EUA.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, também declarou que a infraestrutura crítica, energética e petrolífera do Oriente Médio passará a ser considerada “alvo legítimo” se os norte-americanos atingirem as usinas iranianas.