Donald Trump anunciou taxa de 10% para os produtos brasileiros vendidos aos EUA, menor que a outros países
Economistas avaliam que a tarifa de 10% imposta pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil teve um resultado menos ruim do que o esperado inicialmente. Os brasileiros tiveram o valor mínimo dentre as outras nações taxadas pelo presidente Donald Trump (Partido Republicano).
“A imposição de tarifas sobre o Brasil não é uma boa notícia. Porém, o percentual ficou no piso das tarifas anunciadas nesta 4ª feira. A alíquota de 10% é ruim, mas é menos pior do que impostos a China, Japão, Coreia do Sul e países do Sudeste Asiático”, disse ao Poder360 Einar Rivero, CEO da consultoria Elos Ayta.
Trump deu início a uma nova fase de sua política protecionista nesta 4ª feira (2.abr.2025) ao anunciar as tarifas recíprocas. Segundo o republicano, o movimento é uma “declaração de independência econômica” dos EUA. Também descreveu o anúncio como “um dos momentos mais importantes da história norte-americana”.
No total, 60 países terão taxas maiores que a do Brasil. Para os especialistas, é possível esperar que esse movimento traga vantagem em relação aos concorrentes no comércio exterior.
Ecio Costa, economista-chefe do Lide Pernambuco, avalia que as tarifas de 10% saíram “baratas” em um 1° momento. Por outro lado, medidas como a retaliação aprovada no Senado e a taxação de big techs podem piorar a situação.
O decreto de Trump com as novas tarifas determina que uma retaliação de outros países pode levar a ainda mais tarifas impostas.
“Acho que o Brasil não deve ir nesse caminho de elevação do seu protecionismo contra os Estados Unidos. Tem países aí com impactos muito mais severos do que os impactos estimados aqui para o comércio brasileiro”, declarou Ecio.
IMPACTO NO MERCADO
Ainda é cedo para cravar qual será a reação do mercado brasileiro aos anúncios. Por um lado, o país foi taxado individualmente. Por outro, obteve vantagem competitiva ante os outros países.
Economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini disse ser “difícil avaliar” os impactos no mercado, mas que o Brasil teria sido mais próximo de “vitorioso” em relação a outras nações.
“Acredito que vai ter um impacto positivo nos mercados, mas é difícil de fazer essa avaliação. Não sei como que o mercado vem avaliando, mas, de uma certa forma, é positivo para o Brasil”, declarou Alex.
Luis Otavio Leal, da empresa de serviços financeiros G5 Partners, tem uma avaliação similar. Para ele, a reação dos índices financeiros “deve ser de neutra para boa”.
“Não foi uma boa notícia, mas melhor do que o esperado, principalmente para o Brasil. Ter tarifas recíprocas no mínimo possível é lucro”, disse Luis.
O dólar terminou esta 4ª feira (2.abr) com alta de 0,27%, cotado a R$ 5,699. O mercado fechou antes do anúncio de Trump. Ou seja, ainda não foi possível precificar quais os efeitos práticos das medidas.
A TARIFA DE TRUMP
A política comercial de Donald Trump atingiu seu ápice nesta 4ª feira (2.abr), com o início da cobrança das tarifas recíprocas. O presidente apelidou a data de “Liberation Day” (“Dia da Libertação”, em português) porque, segundo ele, marca o momento em que os EUA se libertam do que ele chamou de comércio estrangeiro “injusto”.
O republicano aplicou diversas tarifas sobre produtos e parceiros comerciais desde o início de seu 2º mandado, em 20 de janeiro, com o objetivo de fortalecer a economia do país, reverter deficits comerciais e recuperar a competitividade da indústria norte-americana.
A 1ª medida tarifária foi anunciada em 1º de fevereiro. Na ocasião, Trump aplicou 25% sobre produtos do México e do Canadá com a justificativa de que os países eram responsáveis pela chegada de “inúmeros e horríveis”imigrantes aos EUA, pela entrada de drogas no país e pelo deficit nas contas públicas.
O pacote entrou em vigor em 4 de março, depois de negociações com a presidente do México, Claudia Sheinbaum (Morena, esquerda), e o então primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau (Partido Liberal, centro-esquerda).
Eis a linha do tempo da política comercial de Trump:
compartilhe esta imagem
Leia mais sobre o tarifaço de Donald Trump: