Portugal entra no mapa global dos navios porta-drones

China, Irã e Turquia já operam ou adaptam embarcações, enquanto EUA e Coreia do Sul estudam modelos semelhantes

Portugal caminha para operar o 1º navio porta-drones concebido na UE (União Europeia), o NRP d. João 2º, também descrito como uma plataforma naval multifuncional capaz de lançar e recuperar drones aéreos e marítimos em missões de longa duração. Pelo menos 3 marinhas já têm ou desenvolvem navios com convés voltado a operações com drones: China, Irã e Turquia. Já Coreia do Sul e os Estados Unidos discutem formatos e conceitos para ampliar o emprego embarcado de sistemas não tripulados.

A entrega do porta-drones português está prevista para o 2º semestre de 2026, e o projeto é estimado em 132 milhões de euros.

Na China, análises com base em imagens de satélite e avaliações de especialistas apontam a construção de um navio descrito como “porta-drones dedicado”, com dimensões menores do que um porta-aviões clássico e desenho associado a operações com aeronaves não tripuladas de asa fixa. O tema foi tratado em maio de 2024 por veículos especializados e pela imprensa internacional que ressaltam a falta de confirmação pública detalhada por Pequim.

No Irã, a IRGC (Guarda Revolucionária) apresentou em fevereiro de 2025 o Shahid Bagheri, descrito pela Naval News como navio convertido, com pista de cerca de 180 metros para operar drones e helicópteros no mar. A embarcação passou por mudanças estruturais e foi incorporada à frota em cerimônia no porto de Bandar Abbas.

“Eles adaptaram, pegaram um navio existente. Nenhum navio foi concebido de raiz para isto. O português é o 1º”, disse Henrique Gouveia e Melo, almirante da reserva da Marinha portuguesa, ao Poder360. “Nós nem tínhamos navios que pudéssemos adaptar, precisava ser de raiz”, declarou.

“A 1ª vez que falei neste navio foi em uma conferência sobre fragatas em 2016, mas eu já estava desenvolvendo os conceitos desde 2003. Eu disse na época e expliquei o conceito deste navio. Alguns países olhavam e pensavam se poderiam fazer aquilo, e apareceram ideias. Mas quem teve a coragem de construir o navio para esta função fomos nós”, afirmou Gouveia e Melo.

A Turquia adotou caminho parecido, mas partindo de 1 navio anfíbio. A agência Reuters descreveu o TCG Anadolu como peça central para levar a capacidade de drones do país do ambiente terrestre para o marítimo. Em novembro de 2024, o site The War Zone informou que o Bayraktar TB3 pousou e decolou do convés do Anadolu em teste considerado marco para a aviação não tripulada embarcada turca.

Uma das vantagens em ser um navio originalmente concebido para este conceito é a facilidade em alterar a disposição da embarcação de acordo com as necessidades. “Tem que ter capacidades para mudar rapidamente em função da missão: infraestrutura, fibra óptica, servidores, radares… É uma capacidade verdadeiramente ‘plug and play’”, disse Gouveia e Melo.

Fora desse trio, a Coreia do Sul aparece como caso de “estudo em andamento”. Segundo o Naval News, a Marinha sul-coreana avalia reaproveitar ou redirecionar planos antes associados a 1 porta-aviões leve para um “drone carrier” ou navio de comando com meios tripulados e não tripulados, refletindo a busca por aviação embarcada com menor custo e risco.

Nos EUA, o debate é mais disperso: em vez de anunciar 1 porta-drones dedicado, o objetivo é ter forças navais com mistura de meios robóticos e embarcações não tripuladas em programas de demonstração e desenho de futuro. Segundo o The War Zone, a Darpa (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos Estados Unidos) e lideranças navais sobre grupos de combate com maior peso de sistemas autônomos, além de projetos de navios sem tripulação voltados a testes em mar aberto.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/portugal-entra-no-mapa-global-dos-navios-porta-drones/

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