Nikolas diz que Janja faz “silêncio seletivo” na defesa das mulheres

Deputado citou caso de Silvio Almeida e ministras demitidas por Lula em resposta à primeira-dama sobre projeto que criminaliza discurso de misoginia

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que a primeira-dama Janja Lula da Silva pratica “silêncio seletivo” na defesa das mulheres. A declaração foi feita neste domingo (29.mar.2026) em um vídeo publicado nas redes sociais. 

O congressista citou o caso do ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, demitido em setembro de 2024 por suspeita de importunação sexual contra várias mulheres, inclusive a ministra Anielle Franco (Igualdade Racial). Almeida é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal que tramita sob sigilo.

“E um cara vai cometer um crime no futuro, não dá pra poder prever. Mas sabe o que dá pra fazer após disso? Se manifestar, se posicionar. Foi exatamente isso que você fez, só que o contrário. Você simplesmente se solidarizou com a ministra, mas ficou em silêncio, com a atitude do Silvio Almeida”, disse. “Se ele fosse ministro do Bolsonaro, você ficaria em silêncio? Isso não é defender as mulheres. Isso é defender as mulheres que te convêm. E se silenciar quando não te convém. O silêncio seletivo”, continuou.

Assista ao vídeo (9min11s):

Nikolas afirmou que Lula demitiu 3 mulheres de seu governo atual para “poder abarcar homens do Centrão”. 

“Uma, inclusive, acusou de ataques de misoginia. Foi mais uma que deu espaço para um homem do Centrão. A outra foi demitida e depois chegou e falou que não foi por incompetência que ela foi demitida”, disse. 

O deputado fez referência às ex-ministras da Saúde, Nísia Gonçalves, e das Mulheres, Cida Gonçalves. Nísia afirmou em março de 2025 que sofreu “uma campanha sistemática e misógina de desvalorização” de seu “trabalho, capacidade e idoneidade” durante a cerimônia de posse de Alexandre Padilha (PT) na Saúde e de Gleisi Hoffmann (PT) na Secretaria de Relações Institucionais. Já Cida, que foi substituída por Márcia Lopes em maio de 2025, disse que não foi demitida por incompetência, assédio ou rixa. 

ENTENDA

A publicação de Nikolas foi uma resposta a um vídeo compartilhado por Janja. Na postagem, feita na 6ª feira (27.mar), a primeira-dama fez um apelo à Câmara dos Deputados para que projeto que criminaliza o discurso de misoginia siga rapidamente para votação. “Nós, mulheres, precisamos que esse projeto seja rapidamente aprovado na Câmara e sancionado pelo presidente da República. Ele é um instrumento importante de proteção à vida das mulheres”, afirmou.

Relatado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), o projeto define misoginia como a manifestação de ódio ou aversão a mulheres. Pela proposta, crimes motivados por esse tipo de conduta passam a ter o mesmo enquadramento jurídico do racismo, com penas mais rigorosas, além de serem inafiançáveis e imprescritíveis. Leia a íntegra (PDF – 266 kB).

A primeira-dama também rebateu críticas feitas sobre o projeto na internet. “Queria também deixar registrado aqui um pouquinho da minha revolta com um certo grupo de homens ou talvez um específico, que tem a cara de pau de, na internet, fraudar um projeto de lei disseminando fake news”, disse.

A crítica foi direcionada a Nikolas, que chamou o projeto de “loucura”.

“Eu quero dizer que enquanto você, deputado, se preocupava em produzir um vídeo cheio de mentiras e protegendo aqueles homens que vão pra internet disseminar discurso de ódio, uma mulher era assassinada”, declarou Janja. “Nós mulheres não vamos desistir. Nem eu, deputado, não se preocupe. Eu vou estar sempre ao lado das mulheres nessa luta contra esse discurso de ódio. Eu não vou desistir”, disse.

A PROPOSTA

De acordo com o dicionário Aurélio, misoginia significa o desprezo ou aversão às mulheres, ou a repulsa mórbida do homem ao contato sexual com as mulheres.

O texto foi aprovado pelo Senado em 24 de março. Se for aprovado agora pelos deputados e depois, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ato de injuriar alguém ofendendo a dignidade ou decoro em razão de misoginia terá pena de 2 a 5 anos, além de multa. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito contra mulheres também passará a ser crime tipificado, com pena de 1 a 3 anos. A pena será em dobro para crimes cometidos contra mulheres no contexto de violência doméstica e familiar.

O projeto diz que o juiz deve considerar como “discriminatória qualquer atitude ou tratamento dado à pessoa ou a grupos minoritários que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida, e que usualmente não se dispensaria a outros grupos em razão da cor, etnia, religião, procedência nacional ou condição de mulher”.

Leia mais:

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-congresso/nikolas-diz-que-janja-faz-silencio-seletivo-na-defesa-das-mulheres/

Deixe um comentário