Deputada estadual se maquiou de marrom durante sessão no plenário da Alesp; prática está historicamente associada à reprodução de estereótipos racistas
A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) se maquiou de marrom durante sessão no plenário da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) nesta 4ª feira (18.mar.2026). A ação foi um protesto contra a nomeação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.
Durante sua fala, Fabiana tentou estabelecer uma comparação entre a identidade de gênero de Erika Hilton e a identidade racial. “Eu tive os privilégios de uma pessoa branca durante toda a minha vida. Agora, aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. E agora, virei negra?”, disse. Ela afirmou, em tom de deboche, que “se reconhece” como negra e questionou por que não poderia presidir uma comissão de antirracismo.
A deputada Monica Seixas (PSOL) levantou questão de ordem durante a sessão. A psolista afirmou que o ato de Fabiana caracterizava transfobia, racismo e prática de blackface. Ela pediu a suspensão da sessão e da transmissão e solicitou censura por discurso de ódio.
O termo blackface refere-se à prática em que pessoas brancas pintam o rosto ou o corpo para representar pessoas negras. A prática está associada à ridicularização e à reprodução de estereótipos racistas.
Após o episódio, Monica Seixas classificou o ato como “gravíssimo” em publicação nas redes sociais. Informou também ter acionado o Comitê de Ética e procurado uma delegacia para exigir a “responsabilização imediata” de Fabiana.
Assista ao vídeo (13min26s):
Quem é Fabiana Bolsonaro
Apesar do sobrenome, Fabiana não tem parentesco com a familia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Filha do deputado federal Adilson Barroso (PL), ela adotou o nome “Bolsonaro” como estratégia política para indicar alinhamento ideológico, após um pedido do ex-dirigente ao seu pai.
O Poder360 procurou a Erika Hilton para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do caso. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
O “blackface”
A prática do blackface ganhou força nos Estados Unidos no século 19, especialmente nos minstrel shows, espetáculos em que artistas brancos caricaturavam rostos negros para entretenimento.
Movimentos negros norte-americanos argumentam que o blackface ajudou a difundir imagens estigmatizadas da população negra, como a figura do personagem cômico e submisso, e a consolidar essas representações preconceituosas na cultura popular, contribuindo para visões racistas ao longo do tempo.
Esta reportagem foi produzida pela estagiária de jornalismo Gabriella Santos sob supervisão do editor Guilherme Pavarin