Primeira-dama volta a rebater críticas contra PL que inclui misoginia na Lei de Racismo; troca de farpas com Nikolas Ferreiras iniciou na 6ª feira (26.mar)
A primeira-dama Janja Lula da Silva voltou a rebater as críticas do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), sem citá-lo nominalmente, nesta 2ª feira (30.mar.2026). A primeira-dama destacou que, enquanto há pessoas que “mentem e distorcem informações” sobre o PL (Projeto de Lei) 896 de 2023, mulheres seguem sendo vítimas de homens que “se acham no direito de interromper suas vidas”.
O projeto, que inclui a misoginia na Lei de Racismo (Lei 7.716 de 1989), foi criticado por congressistas da oposição. Nikolas Ferreira afirmou na 5ª feira (26.mar.2026) que a Câmara teria o “dever de derrubar essa loucura”, dando início à troca de farpas entre os 2.
Em seu perfil oficial no Instagram, Janja afirmou: “Enquanto uns mentem e distorcem informações sobre um Projeto de Lei criado para proteger e salvar a vida das mulheres, continuamos sendo mortas por homens todos os dias em nosso país”.
A primeira-dama continuou afirmando que “enquanto uns perdem tempo” a atacando e difamando, casos de violência contra a mulher seguem acontecendo. Os casos mencionados por Janja referem-se a mulheres que sofreram feminicídio no último fim de semana. Ela não especificou datas ou detalhes, limitando-se a indicar o período anterior à sua declaração.
“Seguimos juntas, lutando pelo que realmente importa: a vida das mulheres”, finalizou a primeira-dama.
A postagem veio em resposta à publicação de Nikolas Ferreira no domingo (29.mar.2026), em que o deputado afirmou que Janja pratica “silêncio seletivo” na defesa das mulheres. Ele citou o caso do ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, demitido em setembro de 2024 por suspeita de importunação sexual contra várias mulheres, inclusive a ministra Anielle Franco (Igualdade Racial).
“E um cara vai cometer um crime no futuro, não dá pra poder prever. Mas sabe o que dá pra fazer após disso? Se manifestar, se posicionar. Foi exatamente isso que você fez, só que o contrário. Você simplesmente se solidarizou com a ministra, mas ficou em silêncio, com a atitude do Silvio Almeida”, disse Nikolas.
ENTENDA O CASO
A troca de farpas entre a primeira-dama e o deputado federal teve início quando Janja, sem citá-lo, respondeu à primeira postagem do congressista sobre o projeto. Na publicação feita na 6ª feira (27.mar.2026), a primeira-dama fez um apelo à Câmara dos Deputados para que o projeto que criminaliza o discurso de misoginia seguisse rapidamente para votação.
“Nós, mulheres, precisamos que esse projeto seja rapidamente aprovado na Câmara e sancionado pelo presidente da República. Ele é um instrumento importante de proteção à vida das mulheres”, afirmou.
Relatado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), o projeto define misoginia como a manifestação de ódio ou aversão a mulheres. Pela proposta, crimes motivados por esse tipo de conduta passam a ter o mesmo enquadramento jurídico do racismo, com penas mais rigorosas, além de serem inafiançáveis e imprescritíveis.
“Eu quero dizer que enquanto você, deputado, se preocupava em produzir um vídeo cheio de mentiras e protegendo aqueles homens que vão pra internet disseminar discurso de ódio, uma mulher era assassinada”, declarou Janja. “Nós mulheres não vamos desistir. Nem eu, deputado, não se preocupe. Eu vou estar sempre ao lado das mulheres nessa luta contra esse discurso de ódio. Eu não vou desistir”, disse.