Número de carros blindados em 2025 é o maior da série histórica iniciada em 1995; São Paulo concentra 80% das adaptações de segurança no país
O Brasil registrou 42.800 novos carros blindados em 2025, segundo levantamento da Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem) baseado em dados coletados pelo Exército. O número é o mais alto da série histórica iniciada em 1995 e representa alta de 24,6% em relação a 2024, quando 34.402 veículos foram adaptados no país.
Cerca de 80% das blindagens no ano passado foram feitas em São Paulo. Além de ter a maior economia, o maior mercado de carros e uma das maiores taxas de violência do país, o Estado também concentra a maioria dos blindadores e fabricantes de materiais. Em 2º lugar está o Rio de Janeiro, seguido de Estados nordestinos como Ceará, Pernambuco e Bahia.
Desde 2013, pelo menos 10.000 carros são blindados anualmente no Brasil. A partir de 2021, foram no mínimo 20.000 por ano. A alta é explicada pelo aumento da sensação de insegurança nas grandes capitais, afirma Marino Maciel, presidente do Conselho Deliberativo da Abrablin.
“As pessoas se sentem inseguras em se locomover por causa da violência que tem no semáforo, na chegada em casa. O pessoal busca a blindagem para se proteger desse tipo de violência urbana”, disse Maciel ao Poder360.
A Abrablin afirma que a maioria dos veículos blindados no país recebe proteção do nível 3-A, o máximo permitido a civis pelo Exército Brasileiro. Esse tipo de blindagem oferece segurança contra armas de mão, como pistolas 9 mm e revólveres .44 Magnum –a arma de curto alcance considerada mais potente.
“Para a nossa violência urbana, que é um assalto no semáforo ou chegando na sua residência, esse nível de proteção é o suficiente. Porque um bandido não vai chegar até você e te roubar com fuzil. Ele vai ter uma pistola, um armamento curto, ele quer uma ação rápida. Ele quer seu celular, seu relógio, uma bolsa que está ali dentro para poder sair dali rapidamente”, afirma o presidente da associação.
GOVERNO, MONTADORAS E LOCADORAS
O crescimento do mercado de adaptações também está ligado ao interesse de órgãos públicos e segmentos do mercado automotivo como montadoras e locadoras, que passaram a enxergar a blindagem como um item de venda. Empresários, executivos, políticos, atletas e artistas estão entre os que mais procuram o serviço.
Maciel afirma que também cresceu a demanda de carros blindados para o que o setor classifica como órgãos de segurança e ordem pública: “São grandes volumes. Um edital pode vir com 3.000 a 4.000 unidades, dependendo do investimento que o governo [federal, estadual ou municipal] quer fazer nos equipamentos”.
O setor tem 120 mil empregos diretos e indiretos e movimenta cerca de R$ 3,5 bilhões por ano, segundo a associação.
BLINDAGEM PODE CHEGAR A R$ 100 MIL
A Abrablin avalia que o serviço ainda está restrito à chamada “Classe A”, de pessoas mais ricas, mas também chega ao que a associação classifica como “Classe B”.
“Até a classe B, você tende a ver consumo desse produto, porque eles começam a consumir o veículo seminovo. O seminovo blindado está tendo muita saída para a classe B”, diz Maciel, que acrescenta que a blindagem não perde a eficácia com o tempo.
O valor médio de um processo de blindagem está atualmente em R$ 100 mil. Em julho de 2025, a média era de R$ 80.000. Maciel afirma que 90% da matéria-prima usada nas blindagens é importada.
“Teve um um acréscimo no valor. Está vindo muito material nobre para aplicação de anteparos balísticos. Isso também subiu o valor da blindagem”, declara o dirigente, que alerta para a possibilidade de nova alta por causa dos conflitos no Oriente Médio.