Após internação, defesa de Bolsonaro critica Moraes por negar domiciliar

Ministro recusou em 2 de março último pedido de transferência feito pelos advogados; ex-presidente está no DF Star

O advogado Paulo Cunha Bueno, que faz parte da defesa de Jair Bolsonaro (PL), criticou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes após o ex-presidente ser internado com febre, crises de vômito e baixa oxigenação. 

“A situação de hoje, que traz um sintoma grave, foi reiteradamente  vaticinada inclusive em laudos recentes que instruíram o último pedido de prisão domiciliar, o qual foi sumariamente negado pelo Ministro relator”, afirmou. A declaração foi dada nesta 6ª (13.mar.2026) em publicação no X.

O advogado também citou a decisão de Moraes que autorizou prisão domiciliar de caráter humanitário ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. “Condenado por corrupção foi-lhe garantindo, sem maiores esforços de convencimento, a custódia domiciliar a partir de um diagnóstico médico de apneia do sono e princípio de doença de Parkinson, quadro, desnecessário dizer, minúsculo em relação ao do Presidente Bolsonaro”, escreveu.

Moraes negou o pedido mais recente feito pela defesa em 2 de março. A defesa havia enviado sua petição em 11 de fevereiro com base no relatório feito pela Polícia Federal, que pediu que o ex-presidente tivesse seus “sintomas neurológicos” analisados, mas indicou que não havia necessidade de hospitalização. Eis a íntegra do relatório médico (PDF – 3 MB) e da decisão de Moraes (PDF – 239 kB).

O laudo havia sido enviado a Moraes em 6 de fevereiro. ​​O diagnóstico foi elaborado com base em exame clínico direto e análise da documentação apresentada pela defesa de Bolsonaro. Os peritos discordaram do diagnóstico de pneumonia bacteriana não especificada, anemia por deficiência de ferro, sarcopenia e depressão.

Ainda conforme o laudo pericial, o ex-presidente tem as seguintes doenças crônicas:

Hipertensão arterial sistêmica;
SAOS (Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono) grave;
Obesidade clínica;
Aterosclerose sistêmica;
Doença do refluxo gastroesofágico;
Queratose actínica;
Aderências (bridas) intra-abdominais.

O relatório médico recomendou a “otimização” dos tratamentos e de medidas preventivas “em decorrência do risco de complicações, principalmente de eventos cardiovasculares”. Também indicou prática de atividade física aeróbica e com resistência e fisioterapia para o equilíbrio postural.

Em 20 de fevereiro, a PGR (Procuradoria Geral da República) se manifestou contra a concessão de prisão domiciliar humanitária.

Moraes seguiu o entendimento do procurador-geral Paulo Gonet. Na decisão, argumentou que o ex-presidente tem “a plena garantia da dignidade da pessoa humana, através de atendimento médico contínuo e permanente, realização de sessões de fisioterapia, atividades físicas, integral assistência religiosa, visitas permanentes da esposa, filhos, filha e enteada, além de numerosas visitas de advogados e terceiros”. 

O relator incluiu registros de visitas e tratamentos providenciados pela direção do Complexo Penitenciário da Papuda, onde o ex-chefe de Estado cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. “Em um período que compreendeu 39 (trinta e nove) dias, 15/1/2026 a 27/1/2026, JAIR MESSIAS BOLSONARO teve direito à:  

“Atendimento médico permanente e diário em 144 (cento e quarenta e quatro) ocasiões diferentes;  

“Visitas permanentes sem necessidade de novas autorizações judiciais de sua esposa, filhos, filha e enteada;  

“36 (trinta e seis) visitas de terceiros devidamente solicitadas pela Defesa;  

“13 (treze) sessões de fisioterapia;  

“33 (trinta e três) sessões de atividades físicas (caminhada);  

“Atendimento por seus advogados em 29 (vinte e nove) dias;  

“Ampla assistência religiosa, inclusive com serviços de capelania, em 4 (quatro) dias”, escreveu Moraes.

Ainda sobre as visitas, o relator afirmou que Bolsonaro tem recebido “grande quantidade” de “deputados federais, senadores, governadores e outras figuras públicas”. Para o ministro, a “intensa atividade política” do ex-presidente corrobora com os atestados médicos que dispõem sobre a sua “boa condição de saúde física e mental”. 

HISTÓRICO DE SAÚDE

O médico Cláudio Birolini informou ao Poder360 que está saindo de São Paulo para Brasília para avaliar o ex-presidente. Afirmou que já solicitou exames para analisar o quadro clínico de Bolsonaro. “Estou saindo de SP às 12:00. Já pedi os exames para vê-lo lá”, disse. 

Bolsonaro caiu e bateu a cabeça em sua antiga cela na Superintendência Regional da Polícia Federal no dia 6 de janeiro de 2026. Foi levado ao DF Star no dia seguinte para fazer exames. Um dos médicos de sua equipe, Brasil Caiado, afirmou que ele sofreu traumatismo craniano leve com a queda ao tentar caminhar no local. O médico também disse que havia uma suspeita de que a desorientação que levou à queda do ex-presidente tenha sido causada pela interação dos medicamentos para crises de soluços.

O ex-presidente foi transferido para a Papudinha em 15 de janeiro, por determinação de Moraes.

Ele enfrenta uma série de problemas de saúde relacionados ao ataque a faca sofrido na campanha presidencial de 2018. Bolsonaro foi internado no fim de 2025, quando realizou uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral. Teve alta em 1º de janeiro.

O ex-presidente já teve uma crise de vômitos em 20 de fevereiro. Na época, o fato foi informado pelo filho Carlos Bolsonaro, que não detalhou se houve necessidade de atendimento médico nem relatou a causa do episódio.

Alguns dias antes, em 16 de fevereiro, o ex-vereador afirmou que o pai havia passado mal e estava sendo monitorado.  

CHEGADA AO HOSPITAL

Bolsonaro chegou, às 8h50, de ambulância ao Hospital DF Star. Policiais responsáveis pela escolta montaram um bloqueio visual com um pano no momento da transferência do ex-presidente da ambulância para o interior do hospital, impedindo que fosse possível ver Bolsonaro durante a chegada.

Assista ao momento da chegada de Bolsonaro ao hospital (1min38s):

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-justica/apos-internacao-defesa-de-bolsonaro-critica-moraes-por-negar-domiciliar/

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