Van atingiu grupo perto da festa do Orgulho em Berlim; uma mulher morreu e 16 pessoas ficaram feridas
A polícia da Alemanha faz uma operação nacional para localizar os suspeitos do ataque perto da parada do Orgulho LGBTI de Berlim. Uma mulher morreu e pelo menos 16 pessoas ficaram feridas depois que uma van atingiu um grupo no parque Tiergarten, na noite de sábado (25.jul.2026).
O principal suspeito foi identificado como Abdul Ballout, de 21 anos. As autoridades pediram ajuda da população para localizá-lo, mas orientaram que ninguém tente abordá-lo. Ele pode estar armado e é considerado perigoso.
BUSCAS PELOS SUSPEITOS
A polícia também procura um possível 2º envolvido, ainda não identificado. Segundo o jornal alemão Bild, foram reforçadas as fiscalizações em todas as fronteiras do país, incluindo as passagens para a Polônia e a Dinamarca. As buscas se estendem a outros países da Europa.
Agentes fortemente armados revistaram a estação ferroviária Anhalter Bahnhof, em Berlim, em busca de vestígios relacionados ao ataque. Veículos considerados suspeitos também passaram a ser parados e inspecionados nas rodovias próximas às fronteiras.
Policiais e promotores afirmaram que Ballout é suspeito de atropelar várias pessoas com a van. Um ou mais ocupantes teriam deixado o veículo depois da colisão. Segundo a agência AP, investigadores também apuram relatos de que vítimas foram esfaqueadas.
Ballout já era conhecido pelas autoridades e tinha ligação com grupos islâmicos na capital alemã. O porta-voz da polícia, Florian Nath, disse, porém, que ainda não há informações sobre a motivação do ataque. “Ele é conhecido por nós como integrante de círculos islâmicos aqui em Berlim, e nossa busca por essa pessoa segue em ritmo máximo”, declarou.
A polícia revistou durante a madrugada um imóvel no distrito de Schöneberg, mas não encontrou o suspeito. Horas depois, agentes entraram no apartamento onde Ballout vivia, no bairro Tiergarten, a cerca de 1 km do local do ataque.
Especialistas recolheram materiais no imóvel para perícia. Equipes com câmeras térmicas também vasculharam a região do parque durante a noite. Técnicos examinaram a van para verificar a possível presença de explosivos.
ATAQUE DURANTE A PARADA LGBTI
O veículo branco entrou no Tiergarten por volta das 22h, atingiu diversas pessoas e bateu contra uma árvore. Três feridos correm risco de morrer, segundo o Corpo de Bombeiros de Berlim. Outros 8 tiveram ferimentos graves e 5 sofreram lesões leves.
O ataque foi registrado durante a festa de encerramento da Christopher Street Day, nome dado à parada do Orgulho LGBTI na cidade. O evento era realizado perto do Portão de Brandemburgo.
A programação foi interrompida por volta das 22h15. Uma apresentação musical foi suspensa, e os participantes receberam orientação para deixar a região e não atravessar o Tiergarten.
A parada reuniu centenas de milhares de pessoas ao longo do sábado. Cerca de 80 caminhões participaram do desfile pelo centro de Berlim. O evento é considerado uma das maiores celebrações LGBTI da Europa.
O chanceler alemão, Friedrich Merz (CDU, centro-direita), classificou o episódio como um “ato abominável” e um ataque contra a sociedade alemã. Disse que centenas de milhares de pessoas de diferentes países celebravam pacificamente a Christopher Street Day e defendiam uma convivência baseada na tolerância.
Merz afirmou que a Alemanha continuará a preservar e defender a liberdade. Também declarou que o ataque será esclarecido e que os responsáveis serão perseguidos “com todo o rigor”. O chanceler manifestou solidariedade às vítimas e aos familiares, desejou a recuperação dos feridos e agradeceu aos profissionais envolvidos no atendimento e nas buscas.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que o ataque atingiu os valores que formam a União Europeia. Afirmou que o bloco condena todas as formas de ódio, extremismo e violência e manifestou “total solidariedade” à Alemanha, à população do país e à comunidade LGBTI.