52% preferem Brasil mais próximo da China e não dos EUA

Levantamento PoderData mostra inversão na percepção sobre o comércio exterior depois de tarifaços impostos por Donald Trump

Para 52% dos eleitores, o Brasil deve estreitar mais as relações comerciais com a China do que com os Estados Unidos, enquanto 35% defendem maior aproximação com os norte-americanos. Os dados são da pesquisa PoderData, realizada de 18 a 20 de julho. 

O resultado é o inverso do registrado no mesmo período de 2025: à época, 59% diziam ser “melhor o Brasil manter relações comerciais com os EUA”, enquanto 32% manifestavam preferência pela China.

O levantamento PoderData fez a seguinte pergunta aos entrevistados: “Você acha que é melhor o Brasil ter mais relações comerciais com a China ou com os Estados Unidos?“. 

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360Jornalismo, com recursos próprios. Os dados foram coletados por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 147 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%. Não se trata de uma pesquisa de sondagem de intenção de votos e, por essa razão, não há necessidade de registro na Justiça Eleitoral.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, são mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

EUA: IMAGEM RUIM

A deterioração da imagem dos Estados Unidos entre os eleitores brasileiros já havia sido sinalizada na pesquisa PoderData/Aya realizada de 12 a 15 de julho. Na ocasião, os entrevistados responderam à seguinte pergunta: “Sobre um possível apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a algum candidato a presidente do Brasil, você acredita que [é positivo, negativo, não faz diferença]?”.

A maior parte (42%) afirmou que esse apoio teria impacto negativo na campanha do candidato escolhido.

A relação entre o Brasil e os Estados Unidos vive um período de instabilidade desde o início do 2º mandato do presidente Donald Trump (Partido Republicano). O cenário reflete as diferenças político-ideológicas entre os governos dos 2 países. 

Trump é aliado da família Bolsonaro. Em julho de 2025, determinou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida teve como justificativa o tratamento dado pelo Supremo Tribunal Federal ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no processo em que ele respondeu por tentativa de golpe de Estado. Posteriormente, parte da taxação foi revertida.

As tensões voltaram a aumentar em 1º de junho. O governo dos EUA anunciou uma proposta para impor uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos importados do Brasil. A alegação é de que o país teria adotado práticas consideradas desleais e prejudiciais para empresas norte-americanas. O tarifaço foi confirmado em 15 de julho. 

Na 5ª feira (23.jul), o representante comercial dos EUA, Jamison Greer, anunciou uma outra sobretaxa de 12,5% aos produtos brasileiros, alegando a existência de trabalho escravo na produção dos bens enviados aos EUA.

Como resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as críticas ao governo norte-americano e reforçou o discurso em defesa da soberania brasileira. 

Ao mesmo tempo, o tarifaço acelerou a aproximação comercial entre Brasil e China. Em 2025, o avanço das exportações brasileiras para o mercado chinês neutralizou a retração provocada pelas tarifas dos EUA. De agosto a novembro, o valor embarcado para a China cresceu 28,6% em relação ao mesmo período de 2024. Já as exportações destinadas aos EUA caíram 25,1%. A expectativa é que o movimento se repita com a nova onda de tarifas.

Em contraste com o distanciamento em relação ao governo Trump, Lula também mantém aquecidas as relações diplomáticas com a China. O petista foi ao país asiático duas vezes desde que tomou posse, em janeiro de 2023. O presidente chinês também já foi recebido pelo brasileiro no Palácio do Alvorada. 

ESTRATIFICAÇÃO

O PoderData detalhou as respostas por recortes demográficos, como sexo, idade, região, escolaridade e renda:

PODERDATA 

O conteúdo do PoderData pode ser lido nas redes sociais, onde são compartilhados os infográficos e as notícias. Siga os perfis da divisão de pesquisas do Poder360 no X, no Facebook, no Instagram e no LinkedIn.

🎧 PODERDATACAST

Na 5ª feira (23.jul.2026), o videocast do Poder360 sobre pesquisas eleitorais conversou com o ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa. Falou sobre os impactos do tarifaço na avaliação de Lula e como a política externa influencia a eleição. 

Assista (42min):

AGREGADOR DE PESQUISAS  

O Poder360 oferece aos assinantes do Drive o Agregador de Pesquisas, o mais antigo e mais completo da internet no Brasil. Reúne milhares de levantamentos de intenção de voto de todas as empresas desde o ano 2000. Em anos eleitorais, só são publicados os estudos que têm registro na Justiça Eleitoral e metodologia completa conhecida. Tem alguma pesquisa para divulgar? Mande a íntegra por e-mail para o Poder360: [email protected].

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METODOLOGIA

A pesquisa PoderData foi realizada de 18 a 20 de julho de 2026, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 147 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%.

As entrevistas foram realizadas por telefone (para linhas fixas e de celulares), por meio do sistema URA (Unidade de Resposta Audível), em que o entrevistado ouve perguntas gravadas e responde por meio do teclado do aparelho.

Para facilitar a leitura, os resultados da pesquisa foram arredondados. Por causa desse processo, é possível que o somatório de algum dos resultados seja diferente de 100%. Diferenças entre as frequências totais e os percentuais em tabelas de cruzamento de variáveis podem aparecer por conta de ocorrências de não resposta.

Este estudo foi realizado com recursos próprios do PoderData, empresa de pesquisas que faz parte do grupo de mídia Poder360 Jornalismo.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poderdata/52-preferem-brasil-mais-proximo-da-china-e-nao-dos-eua/

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