Deputado Daniel Perez afirmou que há diferença nas tarifas de exportação entre os países em setores como energia e infraestrutura
O indicado ao cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil pelo presidente Donald Trump (Partido Republicano), deputado Daniel Perez (Partido Republicano), disse na 5ª feira (16.jul.2026) que, se aprovado pelo Senado, trabalhará para aumentar as exportações de etanol para o território brasileiro. A declaração foi feita durante sabatina da Comissão de Relações Exteriores.
Segundo ele, há diferenças nas tarifas aplicadas pelo Brasil e pelos Estados Unidos em áreas como energia e infraestrutura. Afirmou que, como embaixador, vai trabalhar para ampliar as relações dos norte-americanos com o governo e o setor privado brasileiros.
O acesso ao mercado brasileiro de etanol foi um dos pontos alegados pela Casa Branca para aplicar tarifa de 25% aos produtos vindos do Brasil.
Assista (1min22s):
Em outro momento da sabatina, o senador Tim Kane (Partido Democrata) disse a Perez que os EUA vendem muito mais produtos ao Brasil do que o contrário. Segundo ele, caso o Brasil decida aplicar a lei de reciprocidade, os norte-americanos serão mais impactados do que os brasileiros.
Em resposta, Perez afirmou que vai se “inteirar” sobre a decisão do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) nas próximas semanas.
QUEM É DANIEL PEREZ
Cubano-americano de 1ª geração, Daniel Perez ingressou na legislatura estadual da Flórida ao ser eleito pela primeira vez em 2017. O deputado consolidou sua carreira política no Estado do sul dos EUA e alcançou a liderança da Assembleia Legislativa local.
O deputado se formou pela FSU (Universidade Estadual da Flórida) e recebeu o diploma em direito pela Faculdade de Direito da Universidade Loyola de Nova Orleans. Fora da carreira política, trabalha como consultor jurídico interno da empresa Doctors Health Care Plans, Inc.
A indicação de Perez ainda precisa ser aprovada pelo plenário do Senado. Só depois disso ele pode ser oficialmente nomeado e enviado ao país de atuação.
Se aprovado, o republicano assumirá a embaixada em um período de consolidação das novas diretrizes de política externa da gestão Trump para a América Latina.
INVESTIGAÇÃO COMERCIAL
A tarifa de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, após o USTR concluir a investigação da Seção 301 contra o Brasil. O governo norte-americano apresentou a medida como resposta ao que classifica como práticas comerciais injustas.
O documento do USTR lista como alvos da apuração temas como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Uma das conclusões aponta que o Brasil adota políticas públicas que favorecem o Pix e colocam empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos em “desvantagem injusta”.
Em 6 e 7 de julho, o escritório promoveu uma audiência pública antes da decisão final sobre a proposta de imposição de tarifas de 25%. O governo Lula optou por não enviar representantes para discursar. Os únicos presentes foram integrantes da Embaixada do Brasil em Washington, que compareceram na condição de observadores.
O senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) esteve presente no 2º dia de audiência. No entanto, o depoimento do congressista pouco contribuiu para mudar a decisão de Donald Trump.
Equipes técnicas dos 2 governos já realizaram diversas reuniões do Grupo de Trabalho que foi instituído para as negociações. Além disso, houve 5 reuniões de alto nível com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A última foi na 3ª feira (14.jul), 1 dia antes do anúncio do novo tarifaço.
O Planalto considera as tarifas “injustas” e retirou temas como o Pix da mesa de negociação.
Em 13 de julho, Lula chegou a dizer que não teria o tarifaço. Não esclareceu o motivo da avaliação.
1º TARIFAÇO
As primeiras tarifas dos EUA foram impostas em 2 de abril de 2025. Trump estabeleceu tarifas recíprocas com base inicial de 10% para 125 países, incluindo o Brasil. Ao todo, 185 nações e territórios foram afetados pela medida, que, segundo o governo norte-americano, buscava reduzir o déficit comercial do país.
À época, Trump afirmou que a taxação seria necessária porque “cidadãos norte-americanos trabalhadores foram forçados a ficar à margem enquanto outras nações enriqueciam e se tornavam poderosas”.
Em 15 de novembro, Washington formalizou a redução de tarifas de importação sobre carne bovina, café, tomate e banana, entre outros produtos. O decreto assinado por Trump cancelou a tarifa recíproca de 10% imposta inicialmente em abril, mas manteve uma taxa adicional de 40%, decretada em agosto.
Em 20 de novembro, os Estados Unidos revogaram a tarifa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros, como carne, café e frutas. Essa foi a última medida adotada em 2025 em relação ao Brasil.
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu —por 6 votos a 3— que as tarifas globais impostas por Trump eram ilegais. No mesmo dia, o presidente assinou decreto para impor tarifa global de 10% a todos os países.