Presidente dos EUA menciona relatório da CIA que indica a capacidade tecnológica venezuelana para manipular eleições desde 2012
O presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou em pronunciamento que a CIA (Agência Central de Inteligência) identificou um plano do governo de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) para manipular votos a seu favor nas eleições do país. “Existia um complô específico para favorecer enormemente o corrupto regime da Venezuela”, declarou Trump.
A declaração veio acompanhada da divulgação de documentos da agência por ordem do presidente norte-americano. Os registros indicam que o chavismo dispunha, desde 2012, de mecanismos para alterar até 1,5 milhão de votos. Os próprios documentos, porém, não comprovam que fraude tenha ocorrido em todas as eleições do país.
Capacidade técnica e limites do relatório
A análise da CIA, datada de 29 de junho de 2026, baseia-se em informações coletadas ao longo de quase duas décadas sobre a capacidade de Caracas de manipular eleições por meio de máquinas de votação eletrônica. Segundo os documentos, a DGCIM (Direção-Geral de Contrainteligência Militar), o Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência) e o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) podiam alterar resultados por meio de máquinas pré-programadas, concentradas em zonas de maior peso chavista.
A técnica descrita envolvia a criação de um 2º conjunto de máquinas virtuais que replicava os resultados legítimos e, em seguida, substituía os dados por versões manipuladas, mantendo a aparência de votos originados em equipamentos regulares.
A investigação remete às eleições de 2012, quando Hugo Chávez (PSUV, esquerda), já doente, derrotou Henrique Capriles. O período pré-eleitoral foi marcado por gasto público estimado em US$ 70 bilhões. Após o resultado, no qual Chávez venceu por cerca de 1,6 milhão de votos, fontes relataram à CIA que Chávez teria parabenizado sua equipe pela implementação do plano de manipulação.
Os planos previam o uso de máquinas alteradas em aproximadamente 300 centros de votação para garantir vitória por cerca de 1,5 milhão de votos.
Os próprios documentos, contudo, estabelecem ressalvas importantes. A avaliação-base da CIA sobre as eleições de 2012 concluiu que fraude eletrônica em larga escala não ocorreu, apesar dos relatos sobre planos de manipulação. Essa conclusão foi sustentada por pesquisas pré-eleitorais que mostravam Chávez à frente por cerca de 10 pontos percentuais, por um aumento de 24% no gasto governamental antes do pleito, pela concessão da derrota pela oposição e por análise quantitativa da CIA que não detectou padrões irregulares de votação indicativos de manipulação sistemática.
Os documentos divulgados pela Casa Branca afirmam que autoridades venezuelanas “desenvolveram um interesse constante e provavelmente alguma capacidade para manipular sistemas eletrônicos de votação”, mas que as informações de inteligência “não confirmaram de forma definitiva a ocorrência de fraude eletrônica em larga escala em eleições específicas na Venezuela”. Eis a íntegra (PDF – 597 kB)
Smartmatic e alegações de 2020
Os comentários de Trump retomaram teorias promovidas por aliados seus em 2020, segundo as quais teria havido um plano venezuelano para alterar votos americanos por meio da empresa de tecnologia eleitoral Smartmatic. Os próprios documentos da CIA desmentem essa tese: “nem a Smartmatic nem o governo venezuelano tinham capacidade” de “manipular de forma previsível o resultado de uma eleição fora da Venezuela”.
A avaliação da agência, ainda segundo os documentos, baseia-se no fato de que a capacidade venezuelana de interferir em eleições dentro do país dependia do controle sobre cada etapa do processo, desde a aquisição das máquinas até a programação, o armazenamento das cópias em papel e a condução das auditorias. Nenhum desses controles existiria em processos eleitorais fora da Venezuela.
A tecnologia da Smartmatic foi usada em apenas um condado americano sem disputa relevante nas eleições de 2020. A empresa obteve acordos judiciais e vitórias em ações por difamação relacionadas às alegações feitas naquele período.
Assista ao discurso de Donald Trump (1min01s):
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