Governo e oposição trocam críticas após novas tarifas dos EUA

Aliados de Lula atribuem articulações da oposição com Trump; opositores dizem que governo brasileiro isolou o país no cenário global

Congressistas de esquerda e de direita comentaram nesta 5ª feira (16.jul.2026) a decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o país. Eis a íntegra do documento norte-americano (PDF – 1,2 MB, em inglês).

Aliados do Palácio do Planalto chamaram a medida de “agressão” e vincularam a decisão norte-americana ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), opositor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial. A deputada federal Marina Silva (Rede-AC) disse que as taxas “ameaçam empregos, renda, empresas e cadeias produtivas dos 2 países”.

Marina afirmou que o Brasil precisa responder com firmeza, equilíbrio e dentro do direito internacional, “utilizando a Lei de Reciprocidade, os instrumentos da Organização Mundial do Comércio e todas as medidas necessárias para proteger os setores atingidos, os empregos e a capacidade produtiva nacional. Soberania não se negocia sob ameaça”.

Já o líder do governo na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), disse que as tarifas são “um ataque ao Brasil, promovido pelo governo Trump e articulado por Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro”. Afirmou que o Planalto aplicará a Lei da Reciprocidade para defender os interesses nacionais.

OPOSIÇÃO

A oposição ao governo federal respondeu diretamente ao comunicado do governo norte-americano, publicado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

O líder do PL no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o governo Lula transformou a política externa “em instrumento de militância ideológica, ignorando as negociações com os Estados Unidos”. “O resultado veio em forma de tarifas”, declarou em seu perfil no X (ex-Twitter).

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por sua vez, publicou em sua página na rede social a frase “Make the L”, em referência ao slogan de campanha de Lula –”faz o ‘L’”– na eleição de 2022.

Eis outras declarações de congressistas.

Izalci Lucas (PL-DF), senador e líder da Oposição no Congresso Nacional:

Bohn Gass (PT-RS), vice-líder do governo na Câmara:

INVESTIGAÇÃO COMERCIAL

A tarifa de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, após o USTR concluir a investigação da Seção 301 contra o Brasil. O governo norte-americano apresentou a medida como resposta ao que classifica como práticas comerciais injustas.

O documento do USTR lista como alvos da apuração temas como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Uma das conclusões aponta que o Brasil adota políticas públicas que favorecem o Pix e colocam empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos em “desvantagem injusta”.

Em 6 e 7 de julho, o escritório promoveu uma audiência pública antes da decisão final sobre a proposta de imposição de tarifas de 25%. O governo Lula optou por não enviar representantes para discursar. Os únicos presentes foram integrantes da Embaixada do Brasil em Washington, que compareceram na condição de observadores.

O senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) esteve presente no 2º dia de audiência. No entanto, o depoimento do congressista pouco contribuiu para mudar a decisão de Donald Trump.

Equipes técnicas dos 2 governos já realizaram diversas reuniões do Grupo de Trabalho que foi instituído para as negociações. Além disso, houve 5 reuniões de alto nível com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A última foi na 3ª feira (14.jul), 1 dia antes do anúncio do novo tarifaço. 

O Planalto considera as tarifas “injustas” e retirou temas como o Pix da mesa de negociação. 

Em 13 de julho, Lula chegou a dizer que não teria o tarifaço. Não esclareceu o motivo da avaliação. 

1º TARIFAÇO

As primeiras tarifas dos EUA foram impostas em 2 de abril de 2025. Trump estabeleceu tarifas recíprocas com base inicial de 10% para 125 países, incluindo o Brasil. Ao todo, 185 nações e territórios foram afetados pela medida, que, segundo o governo norte-americano, buscava reduzir o déficit comercial do país.

À época, Trump afirmou que a taxação seria necessária porque “cidadãos norte-americanos trabalhadores foram forçados a ficar à margem enquanto outras nações enriqueciam e se tornavam poderosas”.

Em 15 de novembro, Washington formalizou a redução de tarifas de importação sobre carne bovina, café, tomate e banana, entre outros produtos. O decreto assinado por Trump cancelou a tarifa recíproca de 10% imposta inicialmente em abril, mas manteve uma taxa adicional de 40%, decretada em agosto.

Em 20 de novembro, os Estados Unidos revogaram a tarifa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros, como carne, café e frutas. Essa foi a última medida adotada em 2025 em relação ao Brasil.

Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu —por 6 votos a 3— que as tarifas globais impostas por Trump eram ilegais. No mesmo dia, o presidente assinou decreto para impor tarifa global de 10% a todos os países.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/governo-e-oposicao-trocam-criticas-apos-novas-tarifas-dos-eua/

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