Senador diz que Lula e Flávio Bolsonaro deveriam atuar juntos contra possível tarifaço dos EUA e defende diálogo para negociar as tarifas
O presidente da comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou nesta 4ª feira (15.jul.2026) em entrevista ao Poder360 que a Lei da Reciprocidade Econômica não deve ser acionada de imediato como resposta ao possível tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê a retomada da lei como “provável”.
Os Estados Unidos indicaram que devem oficializar ainda nesta 4ª a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O senador disse acreditar que o governo norte-americano anuncie novas medidas comerciais contra o Brasil, mas defendeu cautela até que o conteúdo seja conhecido. “Temos que usar muito a razão, a diplomacia e o diálogo para tentar ter o menor impacto possível”, afirmou.
A Lei da Reciprocidade Econômica, PL 15.122 de 2025, autoriza o governo brasileiro a adotar medidas de resposta contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras unilaterais capazes de prejudicar a competitividade do Brasil. A norma se aplica em casos de interferência na soberania nacional, descumprimento de acordos comerciais ou adoção de exigências ambientais mais rigorosas do que as regras brasileiras. Antes de qualquer retaliação, a lei determina que sejam priorizadas as negociações diplomáticas e consultas com o setor privado.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na 3ª feira (14.jul) que o governo poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica e até editar uma medida provisória para proteger empresas brasileiras caso os Estados Unidos confirmem a imposição de novas tarifas sobre produtos do Brasil. Segundo ele, é “provável” que o Executivo retome o mecanismo, caso as medidas sejam efetivamente implementadas.
Sobre a lei, o senador reconheceu que a legislação foi criada justamente para situações desse tipo, mas avaliou que sua aplicação imediata pode agravar as tensões entre os dois países.
“A Lei da Reciprocidade é um instrumento legal, legítimo, que o Congresso aprovou para ser usado em situações como essa. Mas eu creio que não deve, nesse primeiro momento, ser utilizada, declarou o senador.
Para Trad, o diálogo deve ser levado “ao extremo” para reduzir os prejuízos econômicos. Segundo ele, “ruim vai ser”, mas a negociação pode resultar em um cenário menos desfavorável ao Brasil.
Questionado sobre as críticas dirigidas tanto ao presidente Lula quanto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelas tentativas de evitar o tarifaço, Trad evitou atribuir responsabilidade a qualquer um dos lados. Disse que toda iniciativa voltada à redução das tensões é positiva, independentemente da origem política.
O presidente da CRE afirmou que o protecionismo dos Estados Unidos já era esperado desde a campanha presidencial de Donald Trump (Partido Republicano) e defendeu que o Brasil tenha um planejamento para enfrentar esse novo cenário internacional.
Na avaliação do senador, a polarização política interna prejudica a defesa dos interesses brasileiros. Ele afirmou que Lula e Flávio Bolsonaro poderiam atuar conjuntamente na interlocução com os Estados Unidos.
“Poderia ser muito mais útil para o Brasil se eles se unissem e fossem lá os 2 juntos pedir para que não tivesse [o tarifaço]”, disse o senador.
China e novos mercados
Trad também afirmou que o Brasil deve ampliar sua busca por mercados caso as restrições comerciais norte-americanas avancem. Segundo ele, além da China, o país pode fortalecer relações com Índia, União Europeia, países do Brics, EFTA, bloco formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein e Cingapura.
“O Brasil não pode ficar chorando o leite derramado. Tem que procurar alternativas de comércio”, declarou.
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