Redução da jornada de trabalho é uma das principais bandeiras de Lula; votação deve ficar para depois do recesso legislativo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o fim da escala 6 x 1 em publicação no Instagram nesta 4ª feira (8.jul.2026). “Essa mudança histórica pode beneficiar diretamente 37 milhões de brasileiros”, escreveu, sem mencionar que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) está parada no Senado desde 28 de maio.
A redução da jornada de trabalho é uma das principais bandeiras do Planalto, sobretudo com foco na tentativa de reeleição de Lula. O governo trabalha para que a proposta seja aprovada antes das eleições de 4 de outubro.
“A proposta para acabar com a escala 6 x 1 foi desenhada para garantir mais qualidade de vida e dignidade a quem trabalha. O projeto reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais e assegura dois dias de descanso por semana, sem que isso mexa no bolso do trabalhador”, afirmou Lula.
Apesar da articulação do governo, a votação antes do pleito é considerada improvável. O calendário do Congresso também dificulta o avanço da proposta: o recesso legislativo começa em 18 de julho e termina em 31 de julho.
Desde a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal, a relação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se deteriorou. Os dois não voltaram a se reunir desde a derrota do governo na Casa, em abril, e não há expectativa de um encontro no curto prazo. Com isso, mesmo considerada prioritária pelo Planalto, a PEC segue sem avanço.
Na 3ª feira (7.jul.2026), o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que Alcolumbre seria eleito o “inimigo” da pauta trabalhista caso não encaminhasse a PEC da escala 6 x 1 para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) até a semana seguinte.
Em resposta, o presidente do Senado afirmou que “esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado”. Disse que a definição da pauta e o ritmo de tramitação das propostas são prerrogativas constitucionais da presidência da Casa e que o rito “não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”.