Ministro afirma que senador participou de audiência para defender “interesses eleitorais”
O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol-SP), afirmou nesta 3ª feira (7.jul.2026) que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pratica uma “diplomacia clandestina” que atende somente a “interesses eleitorais”. O senador viajou aos Estados Unidos para participar de uma audiência pública na Comissão de Comércio Internacional norte-americana, em Washington.
“Mais um episódio vergonhoso da diplomacia clandestina de Flávio Bolsonaro: o senador foi ao Congresso dos EUA pedir para adiarem as tarifas e o ataque ao PIX para depois das eleições. Não foi defender o Brasil, foi defender seus interesses eleitorais. É a versão Tariflavio à prestação!”, escreveu o ministro em seu perfil no X.
A audiência pública para discutir a tarifa adicional de 25% que os Estados Unidos querem impor sobre produtos brasileiros teve início na 2ª feira (6.jul). O evento reúne representantes dos setores produtivos brasileiro e norte-americano e autoridades do governo de Donald Trump (Partido Republicano).
O governo brasileiro não enviou nenhum representante. A avaliação é que a reunião visa a ouvir a sociedade civil e o setor privado. A negociação a nível governamental é feita no grupo de trabalho estabelecido entre os 2 países.
FLÁVIO NOS EUA
Em publicação no X, o senador afirmou que fez uma defesa “técnica e política” na audiência e disse estar satisfeito com sua defesa perante o USTR.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, o acompanhou na audiência. Em publicação no X, criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por não enviar nenhum representante.
“Lula não inscreveu ninguém na audiência pública, pois deseja as tarifas, mesmo que você pague o preço por isso”, afirmou.
A aplicação das tarifas contra o Brasil é amplamente atribuída à atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos. Com as eleições se aproximando, a estratégia de Flávio é de se distanciar dessa imagem.
AS TARIFAS
O USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA, na sigla em inglês) apresentou as propostas para a taxação nos dias 1º e 2 de junho de 2026. São elas:
25% – por práticas desleais de comércio. É resultado de uma investigação comercial aberta contra o Brasil em 15 de julho de 2025;
12,5% – por falta de restrição à importação de produtos feitos com trabalho forçado análogo à escravidão. É resultado de uma investigação global da USTR sobre o tema.
Em 15 de julho, Trump vai decidir sobre as sanções. Até lá, há a expectativa de mais reuniões entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.