Na atual conjuntura, Mercosul é uma necessidade estratégica, diz Lula

Em meio à onda azul na América Latina, presidente reforça importância da integração na América do Sul durante cúpula do bloco econômico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 3ª feira (30.jun.2026) que, “na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica”. A declaração foi feita durante a cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai. “Nem sempre avançamos na velocidade que desejamos, mas o Mercosul permanece como o principal espaço institucional em uma região cada vez mais polarizada. O projeto de integração sul-americana deve estar acima de qualquer divergência ideológica.”, disse.

A declaração foi dada em um momento de avanço da direita na América do Sul. Depois das eleições presidenciais realizadas em junho de 2026 na Colômbia e no Peru, governos de direita e de centro-direita passaram a comandar 7 dos 12 países do continente.

A avaliação do Palácio do Planalto é que o avanço de governos de direita na América do Sul tende a ampliar a influência dos Estados Unidos na região e dificultar o projeto de integração regional.

No plano bilateral, porém, integrantes do governo avaliam que nenhum desses países deve adotar uma postura tão confrontadora quanto a do presidente Javier Milei. A expectativa é que, apesar da maior proximidade política com Washington, esses governos mantenham o diálogo com Brasília por causa da importância do mercado brasileiro.

A relação entre Brasil e Estados Unidos passa por um momento de tensão. Um dos principais motivos é a nova taxação anunciada por Washington sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de “concorrência desleal”. Outros temas, como a guerra no Irã, também aumentaram o desgaste entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano).

No discurso na cúpula do Mercosul, Lula não citou Trump nem os Estados Unidos, mas afirmou: “Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul”. Em outras ocasiões, o petista disse que o republicano não foi eleito para ser o “imperador do mundo”.

O presidente também declarou que “nenhum país do Mercosul vai ganhar mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”. A fala foi feita em meio à aproximação de Milei com Trump. O presidente argentino não participou da cúpula do Mercosul.

Lula voltou a criticar o unilateralismo e o protecionismo. “Rivalidades geopolíticas crescem e o unilateralismo ganha força. Guerras e conflitos aprofundam a instabilidade global e elevam os preços dos alimentos e da energia. O protecionismo ressurge como resposta falaciosa à complexidade dos equilíbrios macroeconômicos globais.”

O presidente costuma criticar medidas protecionistas, sobretudo as tarifas impostas pelos Estados Unidos a diversos países. O governo norte-americano, por sua vez, usou o argumento da proteção da indústria e do combate à concorrência desleal para justificar a taxação de produtos brasileiros.

Assista ao discurso:

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-governo/na-atual-conjuntura-mercosul-e-uma-necessidade-estrategica-diz-lula/

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