Escritor afirma em livro que movimentos baseados em identidade de minorias perde a força até na esquerda
O escritor e antropólogo baiano Antonio Risério, 72 anos, publicou o livro “Adeus, Identitarismo”. Afirma que a influência dos movimentos baseados na identidade das minorias perde força atualmente na sociedade.
Risério discute o identitarismo com frequência em entrevistas e artigos. Lançou o livro em maio de 2026. É o que chama no 1º parágrafo de “uma espécie de ensaio-colagem (não muito linear)”. Ele apresenta o tema de forma coloquial. Também densa. Há muitas referências a autores do Brasil e de outros países.
O autor trabalhou na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2006. Mas virou um crítico do governo e do PT. Diz no livro que isso resultou em resistências ao seu nome. É algo especialmente forte na Bahia. Ele continua a se definir como uma pessoa da “esquerda democrática”.
Risério afirma que o identitarismo contradiz o marxismo clássico ao se sobrepor ao conflito de classes. Diz que os partidos de esquerda deixaram a restrição de lado porque precisavam de novos militantes e votos. Mas avalia que o identitarismo está perdendo relevância também nesse campo político.
Trata-se, segundo Risério, da percepção crescente de que o identitarismo tem se transformado em ônus. Ele atribui ao identitarismo a derrota de Hillary Clinton (democrata) para Donald Trump (republicano) na eleição para presidente dos EUA em 2016.
Houve influência dos EUA na importação do identitarismo no Brasil, diz Risério. Também em sua decadência. “Mudança de rumo lá, mudança de rumo aqui”, diz. Ele afirma que a publicação de artigos críticos ao identitarismo na mídia do Brasil começou depois de ter se tornado frequente em veículos jornalísticos norte-americanos.
SERVIÇO
Título: “Adeus, identitarismo”
Páginas: 208
Preços: R$ 62,90 (livro físico) e R$ 29,90 (e-book), LVM
Compra on-line: LVM, Amazon e Martins Fontes