Flávio quer castração química, vender Correios e reduzir maioridade

Pré-candidato do PL ampliou promessas eleitorais com foco em pautas associadas à direita; segurança pública ganhou destaque

A menos de 100 dias das eleições, o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, reforçou uma das principais frentes de sua campanha: a defesa de pautas associadas à direita. Em junho, ampliou o número de promessas eleitorais voltadas à ala mais fiel de seu eleitorado.

Ele tenta, com isso, manter-se como o nome mais competitivo da direita para impedir que outra alternativa surja como opção de poder. 

Foi o 1º mês completo depois da divulgação dos áudios em que o congressista pede dinheiro ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, que teve como consequência a sua queda nas pesquisas. 

A partir de então, a campanha parou de “jogar parado”, como definiam aliados sobre a situação até maio.

Flávio ampliou o volume de viagens e de promessas. A reportagem do Poder360 analisou todas as falas públicas do senador em junho e separou 10 promessas que deixam claro o seu alinhamento no espectro político brasileiro. 

ECONOMIA & PRIVATIZAÇÃO

Por muito tempo, a privatização foi tratada pela esquerda como um tabu ou estigma político. Para a direita, é uma pauta.  

Em junho, Flávio usou o exemplo mais emblemático do momento: a situação financeira dos Correios.

Em 2 de junho, em entrevista à rádio Itatiaia, o senador defendeu a privatização da estatal. A proposta já integrava a agenda econômica do governo Jair Bolsonaro (PL), que incluiu a empresa no programa de desestatizações. 

Com a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Planalto, os Correios foram retirados da lista. A estatal passou a registrar os maiores deficits de sua história.

Ainda no campo econômico, em evento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), na 2ª feira (22.jun), o pré-candidato disse que, se eleito, pretende fazer uma nova reforma tributária. Também defendeu o uso da inteligência artificial para controlar gastos públicos. 

SEGURANÇA PÚBLICA

O foco da pré-campanha em junho, contudo, foi a segurança pública. No dia 18, Flávio lançou o plano “Brasil Sem Medo”. O pacote reúne 12 propostas voltadas ao combate ao crime organizado, ao endurecimento da legislação penal e à ampliação dos investimentos federais na área. 

Entre as propostas para segurança pública, o senador citou castração química de estupradores e dobrar o número de presídios federais. A ideia de ampliar o encarceramento de criminosos é combatida em setores da esquerda. Essas alas entendem que seria melhor investir em reeducação. Flávio deixou claro qual será o seu estilo, caso eleito, no tema. 

“Na segurança pública, não adianta pedir moderação. Precisamos ser firmes e às vezes até radicais, porque tem que ser disruptivo”, disse Flávio em 19 de março, durante evento no Rio.

Uma das propostas enfatizadas por Flávio foi a redução da maioridade penal para 16 anos. A pauta é antiga e encontra oposição na esquerda. O pré-candidato decidiu encampar a ideia.

ESTAGNAÇÃO

A mudança no foco da campanha, para ampliar as propostas para a ala mais fiel do bolsonarismo, ainda não teve impacto nas pesquisas.

Pesquisa PoderData/Aya divulgada na 5ª feira (25.jun.2026) mostra que o presidente Lula tem 46% das intenções de voto em uma simulação de 2º turno contra Flávio, que pontua 43%. Os 2 estão tecnicamente empatados considerando a margem de erro do levantamento, que é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

No estudo do fim de maio, o pré-candidato petista tinha os mesmos 46% de agora, ante 42% do filho de Bolsonaro. Flávio oscilou 1 ponto percentual para cima no período –dentro da margem de erro. As pesquisas em sequência indicam um quadro de estabilidade, com Lula estabilizado numericamente um pouco acima do pré-candidato do PL.

Seus apoiadores dizem que as propostas tiveram um efeito: impediu que a queda nas intenções de voto continuasse. Ao dialogar com o grupo mais aguerrido da direita, Flávio garante a primazia no espectro e bloqueia a ascensão de algum novo nome. 

TENSÃO COM MICHELLE

Flávio teve um embate público na 4ª feira (24.jun) com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), presidente do PL Mulher.

Michelle sente-se segregada da definição dos rumos do partido. Tanto no plano nacional quanto no regional. Em vídeos no Instagram, a ex-primeira-dama disse ter sido “apunhalada” e “humilhada” pelo filho mais velho de seu marido. 

Após os vídeos, Flávio se desculpou publicamente em 2 momentos. Aliados tentam reduzir possíveis desgastes. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, antecipou seu retorno dos Estados Unidos para conversar com ambos. “Se não nos entendermos, vamos perder a eleição”, disse ele. 

AMPLIA EQUIPE

Em junho, a pré-campanha também ampliou os participantes do núcleo mais próximo do senador na pré-campanha. 

Além do coordenador, o senador Rogério Marinho (PL-RN), e da equipe jurídica, passaram a participar das reuniões semanais o marqueteiro Eduardo Fischer e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques.

São reforços para tentar retomar os pontos e a dianteira perdida depois da divulgação dos áudios de Flávio com Vorcaro.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/flavio-quer-castracao-quimica-vender-correios-e-reduzir-maioridade/

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