Economista Fabio Giambiagi lança livro “Argentina para Brasileiros”

Escritor explora a história da Argentina no século 20, a perda de relevância para o Brasil e o governo de Milei

O economista Fabio Giambiagi, 64 anos, publicou o livro “Argentina para Brasileiros”, em que analisa a história recente do país. A crescente perda de interesse no Brasil pelo país vizinho em décadas é um dos componentes do livro.

Não houve lançamento formal. O livro está disponível desde 5 de junho de 2026 em livrarias. Há venda on-line na Amazon, Estante Virtual e Livrarias Curitiba, entre outros sites.

As seleções do Brasil e da Argentina poderão se enfrentar a partir das quartas de final na Copa do Mundo, iniciada na 5ª feira (11.jun.2026). A equipe da argentina está atualmente na 1ª posição do ranking da Fifa (Federação Internacional de Futebol). A brasileira, em 6º lugar.

O futebol ainda é um ponto de interesse na relação mútua entre os 2 países. Mas as relações econômicas são declinantes na comparação de longo prazo.

Giambiagi diz no livro que as exportações para a Argentina representavam 13% do total das vendas do Brasil para o exterior em 1998. Nos anos recentes, ficam entre 4% e 5% do total.

Parte disso explica-se pelo aumento do peso da China na economia da América do Sul. Mas outra parte, segundo o economista, é por causa da alta inflação e baixo crescimento econômico da Argentina.

Nascido no Rio em 1962, Giambiagi é filho de pais argentinos. A família voltou a morar em Buenos Aires quando ele tinha 10 meses. Voltou para o Brasil, inicialmente para o Recife, quando tinha 14 anos. Ele veio a ser formar em economia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O economista manteve relações com amigos e familiares na Argentina. Não perdeu o sotaque argentino ao falar português, o que menciona no livro. A relação intensa com os 2 países foi uma das razões para escrever o livro.

GOVERNO MILEI

O último capítulo é o mais técnico. Analisa em 68 páginas o início do governo de Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) a partir de dezembro de 2023.

Afirma que o presidente evitou erros de governos anteriores. Combinou ortodoxia fiscal e heterodoxia cambial. Cortou gastos, mas manteve a taxa de câmbio sob controle. O país teve superavit nominal em 2024 e 2025. A inflação mensal caiu de 25,5% em dezembro de 2023, quando ele tomou posse, para 2,8% em dezembro de 2025.

Giambiagi mostra que o chefe de governo argentino tem maior poder do que o brasileiro em vários aspectos. Na Argentina, o decreto de necessidade e urgência segue valendo se não for analisado pelo Congresso. No Brasil o instrumento equivalente é a medida provisória, que perde a validade se não for aprovada em 120 dias.

Vetos presidenciais precisam ser derrubados por 2/3 dos votos no Congresso na Argentina. No Brasil, basta maioria simples. As diferenças favoreceram o corte de subsídios e gastos públicos no governo Milei.

Mas Giambiagi critica o presidente por “posturas agressivas que beiram –para usar um eufemismo– o autoritarismo”. Cita a “contundência verbal” que Milei usa contra adversários.

O economista também cita o fato de que outras reformas tiveram sucesso inicial, mas acabaram em frustração.

PERONISMO

O tom do livro é crítico em relação à Argentina. Começa pelo subtítulo em espanhol: “Um País de Película” (Um País de Filme em português). O sentido é que a história do país tem situações absurdas que superam obras de ficção.

A parte inicial do livro une lembranças pessoais e o relato histórico do peronismo, o movimento criado pelo presidente Juan Manuel Perón (1895-1974). Ele foi presidente de 1946 a 1955. Voltou ao cargo em 1973 e morreu em 1974.

A mulher do presidente, Maria Estela Perón, conhecida como Isabelita, foi eleita vice na chapa. Tornou-se a primeira mulher na história presidente de um país em 1974. Foi deposta por um golpe militar em 1976. Atualmente, Isabelita, aos 95 anos, mora na Espanha.

Giambiagi se apresenta como antiperonista. Diz que sua narração não é neutra. Usa no livro um estilo coloquial que se assemelha a uma conversa. Relata histórias agradáveis. Também outras com forte carga emocional. É o caso de disputas violentas entre grupos peronistas. E do terrorismo de Estado no período de 1976 a 1983, em que os militares governaram o país.

SERVIÇO

Título: “Argentina para Brasileiros”

Páginas: 360

Preços: R$ 89,90 (livro físico) e R$ 62,90 (e-book), Alta Books

Compra on-line: Amazon, Estante Virtual e Livrarias Curitiba

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-cultura/economista-fabio-giambiagi-lanca-livro-argentina-para-brasileiros/

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