Saída vem depois de a mãe do menino receber perdão judicial por homicídio culposo na morte do filho
A advogada Florence Rosa encerrou, nesta 5ª feira (11.jun.2026), a atuação na defesa de Monique Medeiros no caso Henry Borel. A saída veio em razão de divergências sobre a estratégia jurídica na fase recursal. A profissional divulgou a decisão em nota publicada em seu perfil no Instagram.
A defensora atuou durante os 11 dias de julgamento no plenário do 2º Tribunal do Júri. A contratação inicial previa sua participação só no júri. A saída de Rosa do caso veio depois de Monique Medeiros ter recebido perdão judicial da juíza Elizabeth Louro, do 2º Tribunal do Júri, na 5ª feira (4.jun), pelas acusações relacionadas à morte do menino, em 8 de março de 2021.
“Com a chegada de um novo colega à defesa, e diante de uma legítima incompatibilidade de estratégias defensivas, decidimos, em comum acordo, encerrar a nossa atuação no caso”, declarou Florence Rosa.
A advogada informou que havia disposição para continuar no processo e ressaltou a importância da coerência na condução da defesa. “A divergência quanto à condução técnica é circunstância natural do exercício da advocacia, e a coerência estratégica é pressuposto da plenitude de defesa”, escreveu.
Eis a publicação:
CASO HENRY BOREL
Segundo o inquérito, Monique e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, disseram ter encontrado o menino Henry, na época com 4 anos, caído no chão do quarto que dividia com a mãe, com pés e mãos gelados e olhos revirados.
Levado ao Hospital Barra D’Or, na zona oeste do Rio de Janeiro, as médicas que atenderam Henry afirmaram que o menino já chegou morto. O laudo de necropsia apontou lesões compatíveis com espancamento, hemorragia interna e laceração hepática provocada por ação contundente.
Na denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro foi relatado que Jairinho agredia Henry com frequência, “impondo-lhe intenso sofrimento físico e mental, enquanto Monique se omitia ao não exercer seu dever de proteção e vigilância”.
CONDENAÇÕES
Jairinho foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão. A pena abrange homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.
Monique Medeiros obteve perdão judicial por homicídio culposo. Os jurados reconheceram que ela praticou omissão na tortura contra Henry Borel, ao não agir para impedir as agressões sofridas pelo filho. A pena estabelecida foi de 1 ano e 4 meses de detenção, extinta com a concessão do perdão judicial.
O pai do menino, Leniel Borel, entrou, na 2ª feira (8.jun), com recurso pedindo a anulação do julgamento que concedeu perdão judicial à mãe da criança. A defesa argumenta que “os jurados já haviam reconhecido a materialidade e a autoria atribuídas a Monique, bem como rejeitado a tese absolutória apresentada pela defesa”.