Setor tem em 2026 o melhor início de ano da história em passagens vendidas; guerra no Oriente Médio pressionou custos no mundo
A aviação no Brasil segue batendo consecutivos recordes, mesmo com a alta de preços causada pela guerra no Oriente Médio. Os primeiros meses de 2026 tiveram o maior número de passageiros transportados da história.
De janeiro a abril, foram 44,3 milhões de embarques, sendo 33,7 milhões em voos domésticos e 10,6 milhões em voos internacionais. O volume total teve uma alta de 7,6% na comparação com igual período de 2025.
Como mostra o infográfico acima, a aviação nacional teve seu pior período do século na pandemia, a partir de 2020, quando houve uma queda brusca e repentina nas operações.
Em 2019, antes da crise sanitária, haviam sido 39,6 milhões de passageiros transportados de janeiro a abril. O resultado de 2026 é 11,9% maior que esse.
GUERRA PRESSIONA PREÇOS
Os preços das passagens aéreas registraram uma forte alta depois dos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro de 2026.
O conflito na região, com o fechamento do estreito de Ormuz, pressionou o preço do petróleo e encareceu o querosene de aviação, derivado do combustível fóssil e um dos principais custos das companhias aéreas.
Em janeiro, antes da guerra, as passagens aéreas foram vendidas a uma tarifa média de R$ 621,25, cifra 9,86% menor que a praticada no mesmo período de 2025, já em valores corrigidos pela inflação. Em fevereiro houve estabilidade. Em março, a alta média foi de 17,76%. Em abril, de 8,97%.
O preço médio do QAV (querosene de aviação) explodiu no Brasil com os efeitos da guerra. O litro começou o ano com preço médio de R$ 3,51. Em abril, foi comercializado a R$ 5,40. A alta no período foi de 53,8%.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou em 6 de abril que zerou as alíquotas de PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) sobre o QAV para tentar conter a alta das passagens.
Primeiro, a medida valia até 31 de maio, mas foi prorrogada e agora vai até 31 de julho. A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) pede que a isenção fique até o fim do ano.
A Petrobras reduziu o preço do litro do querosene de aviação em 14,2% a partir de 1º de junho. É esperado que o setor tenha um respiro nos próximos meses com essa medida e com o arrefecimento do conflito, com consequente queda na cotação do petróleo.