Para Pedro Rodrigues, do CBIE, Brasil tem matriz limpa, mas precisa transformar pedidos de conexão em megawatts disponíveis
O Poder360, em parceria com o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), publica mais um episódio do programa “Infra em 1 Minuto”. Nesta edição, Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, analisa a relação entre a expansão da inteligência artificial, a demanda por energia elétrica e a atração de data centers para o Brasil.
O programa é publicado semanalmente no canal do Poder360 no YouTube. Inscreva-se para acompanhar os próximos episódios.
Assista (2min51s):
Segundo Rodrigues, o debate sobre data centers no Brasil não pode ser tratado apenas como uma agenda tecnológica ou de soberania nacional. Para ele, a corrida global pela inteligência artificial é, antes de tudo, uma corrida por energia elétrica “firme”, “disponível” e “conectada à rede“.
A discussão ganhou força depois de o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defender, em Lisboa, que data-centers sejam tratados como tema de soberania nacional. O ministro também associou o interesse de investidores estrangeiros à atuação diplomática do governo brasileiro e às viagens presidenciais.
Na avaliação de Rodrigues, o discurso político não é suficiente para atrair esse tipo de investimento. Para ele, o capital que financia data centers avalia a disponibilidade de energia, velocidade de conexão, segurança regulatória e carga tributária favorável.
O especialista cita estudo recente da IEA (Agência Internacional de Energia) para afirmar que a expansão da inteligência artificial ampliará fortemente a demanda global por eletricidade. A agência projeta que o consumo de data centers praticamente dobrará até 2030, pressionando governos e empresas a ampliar a oferta de geração.
De acordo com Rodrigues, o movimento global não se limita à contratação de energia renovável. Países que disputam investimentos em data centers também têm avançado em térmicas a gás, baterias e projetos nucleares, justamente porque a inteligência artificial exige suprimento firme, capaz de absorver picos de demanda.
É nesse ponto que, segundo ele, aparece uma contradição na estratégia brasileira. O governo celebra a matriz renovável do país e, ao mesmo tempo, defende o Redata, programa voltado a data centers que prevê exigência de energia limpa e renovável para as estruturas.
“O investidor não é patriota. É pragmático: vai para onde a energia é firme, a conexão é rápida e o imposto não mata o projeto no berço“, disse.
A energia renovável nem sempre é “firme” porque parte dessas fontes depende de condições naturais variáveis. A geração solar cai à noite e em períodos de baixa irradiação, enquanto a eólica oscila conforme o regime dos ventos. Para atender data centers, que precisam de fornecimento contínuo e previsível, essas fontes precisam ser combinadas com armazenamento, transmissão adequada ou outras fontes capazes de entregar energia quando houver queda na geração renovável.
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