Líder do Governo critica ida de congressista à Casa Branca e defende o Pix: “Donos de cartão não gostam porque ele não tem taxa”
O líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), associou na 4ª feira (3.jun.2026) o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A avaliação é compartilhada por integrantes do governo, que relacionam a visita do congressista ao presidente Donald Trump ao anúncio das medidas comerciais.
Em publicação em seu perfil no X (ex-Twitter), Wagner não citou nominalmente Flávio, mas escreveu ser “triste ver um senador, candidato a presidente, ter a mesquinharia de ir a um outro país para pedir punição ao seu país de origem”.
O petista também mencionou o Pix, frequentemente apontado pelo governo como um exemplo de inovação brasileira e de soberania nacional. “A palavra que os militares usam para isso é traição. Os EUA não gostam do Pix porque é uma criação nossa, que se tornou a coqueluche do mercado internacional. Os donos de cartão de crédito não gostam do Pix porque ele não tem taxa e é bom para o povo”, declarou.
Para Wagner, o episódio desqualifica o congressista para uma eventual disputa à Presidência da República. “E a imposição do tarifaço não faz sentido. Eu, sinceramente, não vejo qualificação para essa pessoa ser presidente da República”, disse.
PROPOSTAS DE TAXAS DOS EUA
Depois de impor uma tarifa de 25% a uma ampla lista de produtos brasileiros, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou na noite de 3ª feira (2.jun.2026) a conclusão de investigações comerciais conduzidas pela USTR (Representante Comercial dos EUA) que propõem a adoção de tarifas adicionais de 12,5% sobre importações de 59 países, incluindo o Brasil, e a União Europeia por “falha no combate ao uso de trabalho forçado em cadeias produtivas”. Leia a íntegra do documento, em inglês (PDF – 4 MB).
Essas novas tarifas ainda não estão em vigor. São propostas apresentadas pelos Estados Unidos e poderão passar a valer a partir de julho, depois de audiências e consultas públicas.
As apurações foram conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado pelo governo norte-americano para investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA. Segundo a USTR, órgão do governo americano responsável por desenvolver e coordenar a política de comércio exterior dos EUA, os países investigados não teriam adotado medidas suficientes para impedir a circulação de produtos ligados ao trabalho forçado ou para reforçar mecanismos de fiscalização.
FLÁVIO E TRUMP
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma que a família Bolsonaro interveio contra o Brasil durante visita ao presidente Donald Trump na semana anterior às taxas.
Na 3ª feira (2.jun), logo depois do anúncio da proposta de tarifas contra o Brasil, Trump publicou fotografia do encontro com Flávio, Eduardo Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo no Salão Oval da Casa Branca.
Flávio declarou em entrevista à Itatiaia na 3ª feira (2.jun) ter pedido diretamente a Trump que não impusesse tarifas ao Brasil: “Eu pedi expressamente: ‘Não taxem as empresas brasileiras’. Em 2027 vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual. O nosso agro alimenta o mundo e não é justo taxar as nossas empresas. Temos que valorizar a nossa tecnologia, o nosso pix, o nosso etanol, que é uma energia limpa. A gente tem que incentivar esse nosso capital que é o etanol. Nós temos tudo para sentar de igual para igual”.