Vinicius Carvalho, ministro da Controladoria Geral da União, publica texto dizendo que governo Lula está “fortalecendo as instituições, ampliando a transparência e aplicando a lei”
O ministro da Controladoria Geral da União, Vinicius Carvalho, classificou na 3ª feira (2.jun.2026) como “hipocrisia” a decisão dos Estados Unidos de cobrar medidas de combate à corrupção no Brasil ao mesmo tempo em que reduz a prioridade de aplicação da legislação norte-americana que pune empresas do país por corrupção no exterior.
“A melhor resposta à hipocrisia é a prática. E a prática mostra que o governo brasileiro, sob a liderança do presidente Lula, investiga, responsabiliza, recupera recursos públicos e combate a corrupção sem abrir mão dos interesses nacionais”, disse Carvalho em publicação no X.
O posicionamento do ministro é uma resposta à conclusão de uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos que propôs uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos importados do Brasil. O relatório do governo norte-americano afirma que o país adotou práticas consideradas desleais e prejudiciais a empresas dos EUA.
O documento do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, na sigla em inglês) lista como alvos da apuração temas como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. A decisão final sobre a aplicação da tarifa caberá a Trump.
Carvalho afirmou que há uma “contradição difícil de ignorar” na postura norte-americana e disse que o discurso anticorrupção estaria sendo usado como instrumento de pressão política e geopolítica contra o país.
“Quando a corrupção envolve empresas dos Estados Unidos atuando fora das fronteiras, a cobrança perde força. Quando envolve pressionar um país soberano, o combate à corrupção vira instrumento geopolítico”, disse no post.
O ministro também afirmou que o Brasil tem mantido ações de combate à corrupção por meio da Lei Anticorrupção. Ele citou a instauração de mais de 2.200 processos de responsabilização de empresas desde 2013, a aplicação de cerca de R$ 2,1 bilhões em multas e a recuperação de mais de R$ 11,3 bilhões aos cofres públicos.
“O Brasil não está recuando no combate à corrupção. Está fortalecendo as instituições, ampliando a transparência e aplicando a lei. A diferença é que faz isso dentro da democracia, com soberania e sem transformar a pauta anticorrupção em arma contra outros países”, afirmou Carvalho.
O ministro segue a linha adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirma que a decisão dos Estados Unidos teve apoio da família Bolsonaro. A medida foi anunciada dias depois da viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington, onde se reuniu com o presidente norte-americano Donald Trump (partido Republicano).
Eis a íntegra do texto de Vinicius Carvalho:
“Há uma contradição difícil de ignorar na investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil.
“O discurso usado para pressionar o país fala em combate à corrupção. Mas esse mesmo discurso aparece no momento em que o governo dos Estados Unidos reduz a prioridade de aplicação do FCPA, lei criada para punir empresas americanas que corrompem agentes públicos em outros países.
“Quando a corrupção envolve empresas dos Estados Unidos atuando fora das fronteiras, a cobrança perde força. Quando envolve pressionar um país soberano, o combate à corrupção vira instrumento geopolítico.
“O rigor cobrado do Brasil não parece valer com a mesma intensidade para empresas americanas. O que deveria ser princípio vira conveniência. O que deveria fortalecer instituições vira ferramenta de pressão externa.
“No caso brasileiro, a contradição é ainda mais grave porque essa ofensiva contou com apoio e provocação da família Bolsonaro, que mais uma vez aposta em levar disputas domésticas para Washington e transformar divergências políticas internas em ataques à soberania nacional.
“Enquanto isso, o Brasil segue aplicando a Lei Anticorrupção com vigor. Desde 2013, a Lei nº 12.846 permitiu a instauração de mais de 2.200 processos de responsabilização de empresas, a aplicação de cerca de R$ 2,1 bilhão em multas e a celebração de 36 acordos de leniência, com compromissos de devolução superiores a R$ 20,1 bilhões. Mais de R$ 11,3 bilhões já retornaram aos cofres públicos.
“A atuação recente também mostra um Estado mais capaz de investigar e prevenir irregularidades. Em 2025, somente a CGU participou de 76 operações com a Polícia Federal, que identificaram mais de R$ 13,6 bilhões em prejuízos potenciais a grupos criminosos. Auditorias corrigiram distorções bilionárias em programas sociais, operações desarticularam redes criminosas e ferramentas de inteligência evitaram perdas antes que elas acontecessem.
“O Brasil não está recuando no combate à corrupção. Está fortalecendo as instituições, ampliando a transparência e aplicando a lei. A diferença é que faz isso dentro da democracia, com soberania e sem transformar a pauta anticorrupção em arma contra outros países.
“A melhor resposta à hipocrisia é a prática. E a prática mostra que o governo brasileiro, sob a liderança do Presidente Lula, investiga, responsabiliza, recupera recursos públicos e combate a corrupção sem abrir mão dos interesses nacionais.”